Capacetes personalizados Sthephanie Corvett / Custom Bike Helmets by Sthephanie Corvett

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O mundo do motociclismo tem, ainda bem, se adaptado cada vez mais a novos tempos. Apesar da mudança mais lenta do que gostaríamos, uma das provas concretas do movimento é a quantidade de mulheres pilotando e aumentando vertiginosamente um mercado que até há pouco tempo não falava com elas. E como não poderia deixar de ser, as mulheres também estão se dedicando a tudo que envolve o que vai além das motocicletas. A atividade de customização e personalização de acessórios, e até mesmo motos, já conta com o talento de muitas brasileiras. E uma destas artistas, no caso brasileira legítima no que diz respeito a ascendência, é Stephanie Pelais.

The world of motorcycling has, thankfully, adapted more and more to the new times. Despite the slower change than we would like, one of the concrete proofs of the movement is the number of women riding and rapidly increasing a market that until recently did not speak to them. And, of course, women are also dedicating themselves to everything that goes beyond motorcycles. The activity of customization and personalization of accessories, and even motorcycles, already has the talent of many Brazilians. And one of these artists, in this case a legitimate Brazilian with regard to ancestry, is Stephanie Pelais.

Nascida em Pirassununga (estado de São Paulo), Sthephanie foi criada por sua tia avó vinda de uma família de origem indígena. Por conta disso, acabou não tendo contato com quase ninguém de sua família e teve uma vida difícil como a maioria dos brasileiros. Por necessidade começou a trabalhar aos nove anos de idade e, por conta das dificuldades, nunca teve condições e acesso ao ensino superior. Mesmo assim, quando menina, tinha o sonho de trabalhar com moda e vivia desenhando roupas.

Born in Pirassununga (a small city in state of São Paulo), Sthephanie was raised by her great aunt and came from a family of indigenous descent. Because of this, he ended up not having contact with almost anyone in his family and had a difficult life like most Brazilians. Out of necessity, he started working at the age of nine and, due to the difficulties, he never had conditions and access to higher education. Even so, as a girl, she had a dream of working with fashion and spent part of her time designing clothes.

Sthephanie Corvett

Em meio a isso tudo, sempre foi apaixonada por motocicletas e carros, principalmente os carros antigos, e sempre pensava em como poderia fazer parte, de alguma forma, deste universo. Em 2018 teve a oportunidade ficar por alguns dias no studio de de um amigo, Léo Dalla, um já proeminente artista no meio da cultura de customização. Na ocasião colocou na cabeça que queria pintar um capacete que estava por lá. Léo explicou e ensinou algumas técnicas e forneceu o material. E assim nascia seu primeiro trabalho. Por conta de exposição nas redes sociais, em pouco menos de uma semana, o primeiro trabalho acabou rendendo uma parceria com a My Helmet de Vila Velha (estado do Espírito Santo). Parceria que aliás dura até hoje. A criatividade acabou indo além dos capacetes e Sthephanie hoje também trabalha com pintura de motocicletas, quadros e tênis. Por conta de sua origem, uma presença constante em seu trabalho são motivos indígenas, mandalas, animais e natureza. Confira o bate papo com a  artista.

But throughout her life she has always been passionate about motorcycles and cars, especially old cars, and she always thought about how she could be part, in some way, of this universe. In 2018 he had the opportunity to stay for a few days in the studio of a friend, Léo Dalla, an already prominent artist in the midst of the customization culture. At the time she put it in her head that she wanted to paint a helmet that was lying there. Leo explained and taught some techniques and provided the material. And so his first job was born. Due to exposure on social networks, in just under a week, the first job ended up yielding a partnership with My Helmet from Vila Velha (city in the state of Espírito Santo). Partnership that lasts until today. Creativity ended up going beyond helmets and Sthephanie today also works with painting motorcycles, paintings and sneakers. Because of his origin, a constant presence in his work are indigenous motifs, mandalas, animals and nature. Check out the chat with the artist.

Sthephanie com seu mestre e incentivador. Léo Dalla / Stephanie with her master and supporter Léo Dalla

Seu trabalho, além de em muitos momentos fugir do lugar comum, tem uma característica de pesquisa muito marcante. Tem estilos artísticos muito bem definidos. Sendo assim, você tem algum tipo de formação acadêmica em arte ou é de fato uma característica do seu método de trabalho?

Não tenho formação acadêmica. Mas sempre gostei e admirei tanto o trabalho de artistas notórios quanto o de artistas e amigos mais próximos. O pouco ensinamento técnico e teórico que tive contato  foi com meu amigo Léo Dalla quando comecei à 2 anos atrás.

Your work in addition to many times running away from the commonplace, has a very strong research characteristic. It has very well-defined artistic styles. So, do you have any kind of academic training in art or is it really a characteristic of your work method?

I have no academic background. But I have always liked and admired the work of notorious artists as well as the work of artists and close friends. The little technical and theoretical teaching I had contact with was my friend Léo Dalla when I started 2 years ago.


O mundo da arte de capacetes, pelo menos por aqui, ainda sofre um pouco da falta de originalidade e da influência muito forte da escola norte americana. Muitos dos seus temas fogem disso e tem uma presença nítida de períodos acadêmicos, etnias e culturas diferentes. Isso é uma linha que você pretendeu seguir desde o inicio ou é algo que surgiu ao longo do tempo?

Eu sempre procurei fazer algo que combinasse comigo, com minha ancestralidade e por eu realmente gostar muito dos temas que utilizo com mais frequência.

The helmet art world, at least here in Brazil, still suffers a little from the lack of originality and the very strong influence of the North American school. Many of your themes deviate from this and have a clear presence of different academic periods, ethnicities and cultures. Is it a line that you intended to follow from the beginning or is it something that has emerged over time?

I always tried to do something that would suit me, that would match my ancestry and because I really like the themes that I use most often.


Seu trabalho volta e meia trata de temas indígenas e o resultado é super interessante, desde arte aborígene até nativos norte americanos. Teria um espacinho pra arte indígena sul americana que tem coisas lindíssimas?

Com certeza tem espaço sim! Aliás isso é um foco atual. Só não fiz ainda por falta de tempo.

Your work very often deals with indigenous themes and the result is very interesting, from aboriginal art to North American native art. Would there be some room for South American indigenous art wich have beautiful things?

For sure! In fact, this is a current focus. I just haven’t done it yet due to lack of time.


Seu trabalho também utiliza muita padronagem. Tem arte grega, mandalas e texturas. Algumas coisas lembram muito os padrões e vitrais de Antoni Gaudi (arquiteto catalão). Isso também seria uma espécie de assinatura do seu trabalho? Conta pra gente.

Gosto muito de padrões vitrais e pretendo fazer mais daqui em diante. Mas acho que a técnica de envelhecimento (craquelado) junto à arte indígena é com o que mais me identifico. Mas também gosto de fazer coisas diferentes e estamos sempre aprendendo. E a gente pode e deve mudar a toda hora né?

Your work also uses a lot of patterning. It has Greek art, mandalas and textures. Some things are very reminiscent of the patterns and stained glass windows of Antoni Gaudi (Catalan architect). Would that also be a kind of signature of your work? Tell us.

I really like stained glass patterns and I intend to do more from now on. But I think that the aging technique (cracked) along with indigenous art is what I most identify with. But I also like to do different things and we are always learning. And we can and must change all the time, right?


Que tipo de técnicas você usa e quanto tempo em média você leva pra finalizar seu trabalho desde a encomenda até a finalização?

Eu tenho esta parceria de longa data com a My Helmet e são eles que me fornecem o casco liso para que eu possa trabalhar. Faço tudo a mão com pincel, canetas de tinta acrílica e canetas de tinta permanente.  O tempo de trabalho obviamente depende muito da complexidade da arte. Posso finalizar um trabalho em um dia ou em duas semanas. Uma vez pronta a arte eu envio de volta para a My Helmet onde elas aplicam o acabamento de verniz a e forração. De qualquer forma, na média, a maioria dos trabalhos eu acabo dando o prazo de um mês ou um pouco mais.

What kind of techniques do you use and how long does it take on average to finish your job from ordering to completion?

I have this long-standing partnership with My Helmet and they are the ones who provide me with the clean external shell so I can start working. I make everything by hand with brushes and pens. The working time obviously depends a lot on the complexity of the art. So, I can finish a job in a day or two weeks. Once the art is ready I send it back to My Helmet where they apply the varnish finish and lining. Anyway, on average, most jobs I end up setting a deadline of a month or a little longer.


Como todo mundo tem de pagar as contas, você também faz o que a maioria do público motociclista gosta, os temas old school, as indefectíveis caveiras, etc… Mas, aparentemente, você tenta fugir disso e tem a tendência de se tornar uma artista autoral com suas características e inspirações mais marcantes. Faz sentido isso ou você não vê problema algum em ser polivalente e atender a todo tipo de encomenda?

Eu realmente preciso pagar minhas contas! Mas sempre tento, na medida do possível, fugir do “tradicional” que é uma coisa que, querendo ou não, muita gente já faz. E gosto de fazer coisas diferentes. Mas claro, acabo fazendo o tradicional por que trabalho é trabalho e não dá pra fazer só o que se gosta. Acabo não divulgando tudo que faço e, se fizer e aquilo não tenha muita relação com meu estilo, acabo não assinando. O que no fundo é também uma maneira de tentar me ater a tarefa paralela de desenvolver um estilo e um trabalho autoral, que tenha a minha cara e que as pessoas me reconheçam por isso.

As everyone has to pay the bills, you also do what most of the motorcycling people likes, the old school themes, the indefectible skulls, etc … But, apparently, you try to escape from that and you tend to become a kind of authorial artist with your most striking characteristics and inspirations. Does this make sense or do you see no problem with being multipurpose and fulfilling all types of orders?

I really need to pay my bills! But I always try, as far as possible, to escape the “traditional”, which is something that, like it or not, many people already do. And I like to do different things. But of course, I end up doing the usual an regular work because work is work and you can’t just do what you like. I end up not showing everything I do and, if I do and it doesn’t have much to do with my style, I not signing. Basically it is also a way of trying to stick to the task of developing a style and an authorial work, which has my own style and that people recognize me for it.


Falando em pagar contas, a arte nos capacetes é sua atividade principal hoje em dia? Dá pra viver disso por aqui?

Tenho uma vida simples, sem família e sem filhos. Por conta disso, ao menos nestas condições, consigo viver do meu trabalho. Mas confesso que vejo muitos artistas por aí que lutam pra sobreviver, principalmente quando têm uma família para sustentar. No Brasil é complicado viver de arte. Aqui arte não é valorizada como em outros países.

Speaking of paying bills, is helmet art your main activity today? Can you make a living from it here in Brazil?

I have a simple life, with no family and no children. Because of that, at least in these conditions, I manage to make a living from my work. But I confess that I see many artists out there who struggle to survive, especially when they have a family to support. In Brazil it is complicated to live doing art. Art is not valued here as in other countries.


Quais são as maiores dificuldades com seu trabalho? E quais as maiores alegrias?

Olha, a única dificuldade ainda é um certo preconceito.  Por ser mulher. Já passei por alguns momentos bem desagradáveis por conta disso. Mas acredito que o tempo mude isso. Já minha maior
maior é que, nesse universo do trabalho, acabo conhecendo muita gente maravilhosa e faço grandes amizades. Isso é gratificante.

What are the biggest challenges in your work? And what are the greatest joys?

Look, the only difficulty is still a certain prejudice. For being a woman. I’ve been through some pretty unpleasant moments because of that. But I believe as time goes by that will change. On the other hand, my greatest joy is that I end up meeting a lot of wonderful people and making great friends. This is gratifying.


Você tem alguma referência e inspiração nessa área de atuação? Profissionais tanto daqui quanto gringos?

Nossa! Léo Dalla assim como foi meu primeiro mentor é minha maior inspiração! Um mestre e amigo que me ensinou os primeiros passos.
Eu acabo seguindo muitos artistas de fora nas redes sociais. Mas é tudo muito diferente do que escolho pra mim. Quando comecei a fazer arte acabei me inspirando em uma técnica de patina (nota: técnica para dar um aspecto envelhecido) de um italiano chamado Gaetano Sole. É a técnica que mais testei e mais utilizo hoje em dia.

Do you have any references and inspiration? Artists both here and abroad?

Wow! Léo Dalla as well as being my first mentor is my biggest inspiration! A master and friend who taught me the first steps.
I end up following many foreign artists on social media. But everything is very different from what I choose for me. When I started making art I ended up being inspired by a patina technique (note: technique to give an aged aspect) by an Italian artist called Gaetano Sole. It is the technique that I have tested and used the most today.


Que conselho ou dica você daria pra quem quer começar nessa área e provavelmente se profissionalizar? O que é importante estudar, planejar, etc?

Quando se tem vontade e se gosta do que faz  tudo fica mais fácil. Meu conselho é estudar, fazer algum curso relacionado e correr atrás. E que não hajam limites para a arte! Também é preciso paciência e persistência pois no começo os bons resultados não aparecem da noite para o dia.

What advice or tip would you give to anyone who wants to start in this area and probably become a professional? What is important to study, plan, etc.?

When you have will and you like what you do everything gets easier. My advice is to study, take a related course and go for it. And have in mind that there are no limits for art! It also takes patience and persistence because in the beginning the good results do not appear overnight.


E depois de se estabelecer nesse ramo, teria uma dica pra quem já esta nele e quer ter um diferencial?

Saia do clichê e do lugar comum. Não importa se você cozinha ,costura, customiza, fotografa ou sei lá eu o que. A arte esta em tudo e, portanto, faça diferente e bem feito. Isso está em cada um. É a chamada criatividade.

And after settling in that acticivty would you have a tip for those who are already in it and want to have a competitive advantage?

Get out of the cliché and the commonplace. It doesn’t matter if you cook, sew, customize, photograph or whatever. Art is in everything and, therefore, make it different and well done. It is the so called creativity.


O trabalho de Sthephanie Corvett / The art of Sthephanie Corvett

O primeiro trabalho / The first helmet

O perfil de Sthephanie é parte da missão de Motocultura de divulgar os talentos brasileiros do mundo das duas rodas tanto para o Brasil quando para o mundo (por isso estamos tentando disponibilizar, na medida do possivel, os conteúdos bilíngues). Também é o primeiro perfil de uma série onde vamos falar de pessoas que não trabalham necessariamente com motocicletas mas que de alguma forma estão inseridas no meio. Se você conhece alguém com esse perfil, conta pra gente. Queremos conhecer também e divulgar o trabalho!

Sthephanie’s profile is part of the Motocultura mission to spread the word of the work of the Brazilian talents from the world of two wheels both to Brazil and abroad (that’s why we are trying to make bilingual content available, as far as possible). It is also the first profile of a series where we are going to talk about people who do not necessarily work with motorcycles but who are somehow inserted in the middle. If you know someone with this profile, tell us. We also want to know!

Sthephanie Corvett

Instagram: @sthephanie_corvett

+55 19 9 9856 7805


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