Motorama: Entrevista e a história do canal

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Como a maioria dos nossos leitores já sabem, Motocultura tem como um de seus pilares falar sobre as pessoas que fazem da motocicleta um estilo de vida e, também, contar suas boas histórias e trajetórias. E ninguém melhor que a dupla dinâmica Guigo Pinheiro e Hugo Renault, do divertido e informativo canal Motorama, pra contarem uma história super bacana de como dois amigos do tempo de faculdade, que já tiveram até banda de metal juntos, acabaram ficando super conhecidos no meio do motociclismo no Brasil e deram um chega pra lá no conteúdo sisudo e monótono dos grandes veículos de comunicação do nicho. Pra não comprovar a tradição de cair parado, se estiver em cima de uma big trail, desça com cuidado e boa leitura!

Por volta de 2015, a dupla de amigos Guigo e Hugo uniram forças para criar um canal no Youtube com o propósito de compartilhar suas ideias e histórias sobre o universo das duas rodas de um forma mais descontraída, diferente, mas sem deixar de lado a preocupação de informar corretamente e sempre trazendo novidades. O programa acabou chamando a atenção do público motociclista e o canal alcançou mais de 300 mil inscritos. Hoje, além do conteúdo em vídeo, também há um portal com notícias e matérias dedicadas ao mundo do motociclismo.


Hoje vocês são bastante queridos no meio do motociclismo. Em grande parte, provavelmente, em função do bom humor e a forma leve e descontraída como abordam os mais variados temas relacionados a moto. Essa pegada mais informal já era pensada desde o começo ou foi algo que surgiu com o tempo, conforme vocês sentiam a reação do seu público?

Guigo – Foi um pouco dos dois. Quando nos juntamos pra gravar, queríamos que o canal fosse leve. Como se dois amigos falando de moto estivessem conversando naturalmente sem a presença das câmeras. Nossa ideia era mostrar, e dividir com todo mundo, o nosso gosto pelas customizações, pela história das motos, pela história do motociclismo e tudo que envolve esse universo das duas rodas. A ideia inicial era realmente contar boas histórias e nos divertirmos. Então era natural que, desde o começo, a gente já soubesse que teria um teor um pouco mais engraçado, até  porque somos assim no dia a dia. Costumamos dizer que somos dois “nerds” de moto, dois amigos que, além de andar de moto, gostam de falar e estudar sobre elas.

Hugo – A pegada mais informal foi algo natural, porque é assim que somos. E grande parte disso vem da forma como falamos. Ao contrário da maioria das pessoas, que vivem falando o que são, a gente acaba falando justamente o que não somos. Não somos mecânicos, não somos pilotos e não somos jornalistas. E a maioria das pessoas também não é. Então elas se identificam com a gente o tempo inteiro. Eu não sei muito mais sobre motos do que qualquer outra pessoa que pensa sobre elas o dia inteiro. Eu só gosto de falar sobre elas.


O primeiro vídeo do canal Motorama já falava sobre motos customizadas em uma época em que o tema estava bastante em alta. Isso acabou se tornando um tema recorrente. O que mostra que vocês são, de fato, entusiastas do movimento. Vocês têm ou tiveram alguma moto customizada ao longo desse tempo? E as motos que têm hoje?

Guigo – Acredito que as customizadas sejam um dos temas principais do canal por ser realmente uma das coisas que mais somos apaixonados nesse universo. Poder pegar uma moto, seja ela antiga ou nova, melhorando alguns aspectos técnicos e outros estéticos, deixando a moto com uma personalidade própria e com sua cara, é algo que sempre nos atraiu e atrai cada vez mais. Então, naturalmente, é um tema recorrente. E sim, temos e tivemos motos customizadas. Eu fui proprietário de apenas duas motos em minha vida: minha primeira moto e a minha moto atual. A primeira foi uma Suzuki Intruder 125 que a intenção inicial já era customizar. Mas acabei trocando apenas o banco e pra mim já tava perfeita! E minha segunda, a moto atual, é uma Honda CB 400 1983 que adquiri em 2016 e, desde lá, venho transformando ela numa cafe racer. É a minha famosa “ceboluda”. Ela era o modelo mais acessível e clássico para fazer uma cafe, com ronco bonito e infinitas possibilidades de customização. É claro que o fato de ser uma moto antiga também trouxe muitos problemas com manutenção, mas isso é um problema eterno já que uso bastante a moto no meu dia-a-dia. Ela já passou por diversas customizações e caras diferentes até ser o que é hoje. E continuará mudando o visual enquanto estiver comigo!

O Hugo já teve mais motos, e sempre com um toque de customização. Começou andando em motos da empresa de sua família mas a primeira moto mesmo foi uma Honda CG 125 1987 que foi comprada quase como ferro-velho, mas que ainda funcionava. Então ele logo tratou de ajustar o que tinha de errado e customizar no estilo cafe racer. Depois disso teve uma Yamaha Lander com Coyote! E atualmente tem uma Triumph Street Twin, que já é uma moto com muitos acessórios de customização pensados pela própria marca, homologados, o que facilitou deixar ela no visual bandidão que ela tá hoje.

Hugo – A Street Twin me acompanha desde 2016. Sempre gostei muito das Triumph Bonnevilles e ela me serve bem porque é fácil no dia a dia, anda muito na estrada, tem um visual que diz muito sem TER muito e vai continuar sendo animal mesmo quando meu neto for o dono dela.

O primeiro vídeo

Guigo fazendo uma das muita modificações na sua “ceboluda”

Hugo e sua motoca atual, uma Triumph Street Twin que é uma mão nas duas rodas pro dia a dia.
A temperamental e querida CB400 “ceboluda” do Guigo: pau pra toda obra e sempre em obra
CGzinha 125 do Hugo já mostrava o gosto pelas modificações
A primeira motoca de muita gente e que nunca deixa ninguém na mão. Suzukinha Intruder que também foi a primeira do Guigo
De quando Hugo era um homem do campo (mentira): Yamaha Lander vermelha e com escapamento Coyote (diz a lenda que andava mais rápido que notícia ruim)

E as motos dos sonhos? Teriam uma listinha top 3 de motos que adorariam ter na garagem? 

Guigo – Essa lista sempre existe! E ela muda o tempo todo já que sou fã de todo tipo de moto. Além, claro, de estarmos sempre descobrindo paixões e detalhes novos que nos fazem gamar por algumas motos em especial. Mas vamos à lista!

1 – Honda CB 750 Four

Pra quem é dono da “ceboluda”, não tem como não ser fã da moto do século né? Seja original ou customizada, essa é a moto dona do ronco mais lindo de todos os tempos e tudo nela é perfeição pura.

2 – Harley-Davidson shovel head

HD shovel head: tanque gota, motor clássico e guidão estreito

Depois de tantos anos sendo entusiasta de customizações e cafe racers, acho que atualmente comecei a pegar mais gosto pelo estilo chopper / lane splitter californiano. Aquela customização simples com tanque gota e guidão estreito. Ultimamente estou tarado nesse tipo de moto. O motor shovel é um dos mais legais na história da Harley e combina bastante com esse tipo de customização também, mas não é algo fácil e nem barato de se encontrar no Brasil.

3 – Triumph Scrambler 1200

Scrambler 1200: novidade da Triumph em uma espécie de big trail retrô

Não é só de moto antiga que vive o homem né? A scrambler da Triumph sempre foi uma paixão e agora eles acabaram de lançar essa que é o supra-sumo do estilo scrambler, uma moto trail de verdade com roupagem clássica. Acho que atualmente essa é a moto que está em linha que mais gostaria de ter.

Hugo – Se você tivesse pedido uma lista de 10 motos eu ia escolher 7 favoritas do momento e mais 3 favoritas pra sempre! Como você pediu 3, vou falar aqui das três motos que estão sempre presentes na minha lista de motos favoritas e dos sonhos.

1 – Arch Motorcycle

Não vou definir o modelo porque qualquer uma da marca já estaria bom. Essas motos aparentam ter tudo que uma moto precisa para uma pilotagem incrível e muita emoção na estrada.

2- Norton Commando 750

Norton Commando: modelo surgiu no final dos anos 60 e sumiu no final dos 70
A reencarnação moderna da Commando, agora com 961cc

Admiro a Norton da mesma forma que gosto da Triumph. São motos atemporais. Mas ao contrário da Triumph, a Norton não existe no Brasil. A Commando foi descontinuada há décadas e a marca só voltou a existir há pouco tempo. Isso só aumenta ainda mais a mística em torno da moto.

3- Vincent Black Shadow

Vincent Black Shadow 1949: raridade

Eram motos diferentes para sua época e muito à frente do seu tempo. Quem mais botou V-2 em uma chassi tipicamente britânico? Além de ser lendária por si só, a paixão que as pessoas tinham pelas Vincent fez com que elas criassem coisas interessantes como as Vincati, por exemplo, misturando este motor com o chassi Ducati. Esses dias vi uma moto dessas ao vivo e só despertou mais ainda o meu interesse nelas.

Vincati: corpinho de Ducati e coração bruto de Vincent

Ainda sobre o canal, a ideia inicial era fazer algo por curtição ou já havia uma intenção de, de alguma forma, transformá-lo em uma atividade recorrente, profissional e, talvez, fonte de algum tipo de renda?

Guigo – A gente começou com o canal como um projeto paralelo. Pra alimentar uma paixão de uma forma agradável, que nos traria uma certa diversão no que estávamos fazendo.  Então foi tudo voltado pra paixão mesmo. Mas, claro, desde o começo, tratando tudo de forma profissional sim, sabendo que o youtube era um lugar em que poderíamos explorar bem a plataforma, separar espaço para jabás*, patrocínios e tudo o que faria com que o canal ganhasse mais força. Então é possível responder que era paixão e profissionalismo ao mesmo tempo desde o começo.

(*Nota: o termo jabá, no meio do jornalismo, é a denominação que se dá a mimos e brindes recebidos em troca de divulgação. No caso do Motorama é como eles chamam todo o espaço publicitário que disponibilizam aos anunciantes)


As plataformas digitais mudaram muito e a gente sabe que hoje é bem difícil monetizar no Youtube. Sendo assim, todo mundo tem que trabalhar. Como é o trabalho normal do dia a dia de vocês? O que cada um faz pra pagar as contas?

Guigo – Pra falar a verdade a monetização de ad-sense* do youtube nunca foi uma fonte de renda pra nós. Sempre usamos esse dinheiro pra ajudar em alguns custos do próprio canal, mas nunca focamos no ad-sense em si. Atualmente, o ideal é ter um mídia-kit e vender espaços e formatos de conteúdo patrocinado pras marcas. Acreditamos que essa é a melhor forma de monetizar um canal e é assim que fazemos. E sim, apesar de sempre aparecer algum trabalho desse tipo e conseguir monetizar o canal, não é nossa fonte de renda principal ainda. Somos publicitários e, no dia-a-dia, trabalhamos em agência. Eu sou diretor de arte e o Hugo é redator.

(*Nota: ad-sense é, a grosso modo, o meio pelo qual os vídeos do Youtube geram receita direta para os canais. Um algoritmo complexo, simplificando muito, paga ao dono do canal pela quantidade e frequência de publicidade exibida nos vídeos)


O público sente muita falta quando algum de vocês aparece sozinho. Ao longo do tempo, o Motorama virou sinônimo da dupla, tipo Batman e Robin. Conta pra gente então como vocês se conheceram. Foi a paixão pela moto que de alguma forma os uniu?

Guigo – Por incrível que pareça não foram as motos que nos uniram. Temos uma amizade muito antiga, desde o comecinho da faculdade quando tínhamos nossos 18 anos mais ou menos. Sempre foi uma amizade muito forte e já tivemos outros projetos juntos desde lá, inclusive já tivemos uma banda de metal (2007)!

Hugo – Eu vejo que, com a amizade que temos, é fácil para as pessoas se sentirem próximas a nós. Falamos com o nosso público da mesma forma como falamos um com o outro. Quem assiste pensa: “Eu poderia estar participando da conversa com eles de igual para igual!” Por isso, quando algum vídeo é feito só por um de nós, falta um pouco dessa interação, o que é normal. E as pessoas sentem falta disso porque grande parte da graça vem das conversas entre os dois e das coisas que surgem fora do roteiro.

Metalrama: Never use bermuda! Detonator ficaria orgulhoso.

E a ideia do canal, a semente, como e em que momento aconteceu?

Guigo – A gente adora contar essa história! Ela pode sempre servir de inspiração pra quem tá na dúvida de começar um projeto. A sementinha inicial mesmo veio do Hugo, que teve a ideia de fazer um blog de motos, escrito mesmo. Seria um projeto dele e ele me chamou pra criar a identidade visual do blog (Tenho isso guardado até hoje!). O blog se chamaria “Vintage Bikers” e a ideia era falar só de motos clássicas. Porém, com a identidade visual pronta, layout do site e tudo, o Hugo resolveu colocar o projeto na gaveta pois tava muito envolvido com o trabalho. Então, alguns meses depois, eu surgi com a ideia de montar um canal no youtube sobre motos. Eu já tinha o nome e identidade visual prontos, criei a página no youtube e falei “iremos gravar sábado”. Hugo curtiu a ideia mas nem levou tanta fé. Quando o primeiro vídeo já tinha batido mil visualizações em uma semana (O que é muito pra um canal que surge do nada), percebemos que a ideia era realmente legal e poderia vingar. Nos encontramos no fim de semana seguinte pra gravar o segundo episódio e isso vem se repetindo desde 2015.


Além de vocês dois, tem mais alguém envolvido na produção do canal, no backstage, e que seja fundamental no dia a dia ou tudo é tocado apenas por vocês dois?

Guigo – É claro que quem faz acontecer mesmo somos nós, é um projeto nosso. Mas desde o começo pessoas-chave se envolveram e ajudaram ou ajudam até hoje, contribuíram muito com alguns vídeos, seja na produção ou até mesmo nos roteiros. Então já fica aqui o agradecimento pra essas pessoas que sempre estiveram por perto ajudando na produção do canal: Slim (que já apareceu em vários vídeos) e que durante muito tempo ajudou na produção. Hoje em dia ele tá um pouco sumido mas é um cara que sabemos que a gente pode contar sempre. Inclusive já mandamos ele para algumas viagens pra testar motos em lançamentos oficiais. O cara pira! A Thays, que é minha prima (praticamente minha irmã) e também é noiva do Hugo, já ajudou muito com edição, roteiros e produção de muitos episódios. Minha esposa Karol também já deu muito suporte dirigindo o carro do “câmera car” e até mesmo atrás das câmeras na nossa garagem de chroma key*. Nosso amigo Pedroca que é um fã do canal e que surgiu em um encontro nosso do nada, com um drone para ajudar nas filmagens, e quando a gente viu, ele virou um grande parceiro durante muito tempo nas nossas produções (hoje ele vive em outra cidade mas não podemos deixar de esquecer do apoio dele que foi intenso entre 2016 e 2017). Não podemos esquecer do Luiz que é um amigo antigo e sempre foi apoiador do canal e durante um tempo também foi o editor oficial dos vídeos. O cara ralou muito com a gente no tempo que foi nosso editor. Hoje em dia ainda dá um suporte quando precisamos também. E claro, não podemos deixar de citar nossos parceiros do Vrum Brasilia, o Clayton Sousa e o João Fusquine. O Clayton desde 2017 é alguém que conhecemos e nos incentiva muito. Já gravamos muitas coisas em parceria e aprendemos muito convivendo com ele que vem de um meio muito mais profissional na comunicação que é o jornalismo automotivo.

(*Nota: chroma key é uma técnica muito utilizada em produção de vídeo que consiste em trocar o fundo da filmagem na pós produção. Para isso, um pano ou mesmo uma parede em uma cor bem saturada e não natural (verde limão por exemplo) é utilizada na captação e posteriormente, essa cor é substituída por um outro fundo. Sim, a garagem do Hugo e do Guigo é falsa : ) )

A famosa garagem: tecnologia irmã dos efeitos especiais dos Vingadores.
A garagem como ela é: nada como uma ajudinha da tecnologia. Dois pedestais, duas banquetas de boteco e tubos e conexões Tigre (esta legenda não é patrocinada)

Qual o tipo de vídeo que vocês mais gostam de fazer? Aquele que vocês fazem com a maior vontade. E tem AQUELE vídeo que vocês adoraram fazer? Seu favorito?

Guigo – Quando rola de viajar de moto e gravar o rolê é sempre insuperável! O último vídeo de viagem que fizemos, onde pegamos duas Royal Enfield Himalayan pra uma trip e camping na chapada, foi bem legal de gravar e editar. Além da viagem em si ter sido uma experiência bem foda. Acho que o bichinho do moto turismo mordeu…

Hugo – Tem dois tipos de vídeo que são os meus favoritos: 0 primeiro é o nosso quadro principal, geralmente feito na garagem de chroma key. Ele é dinâmico e muitas coisas boas surgem ali. O outro é viajando em uma moto. Como o vídeo que o Guigo citou. Temos outros vídeos neste formato como a viagem entre Brasília e Minas Gerais há algum tempo. Esses também são bons de gravar por várias razões. As imagens ficam demais e o público pode ver um um monte de coisa legal que surge pelo caminho.

O preferido do Guigo até agora e, também, um dos preferidos do Hugo:

Viagem de Brasília à Minas, um dos preferidos do Hugo:


E o tipo de vídeo que vocês acabam fazendo mas não é assim lá tão bacana de fazer?

Guigo – Essa é realmente difícil de responder… a gente se diverte tanto que eu realmente não consigo pensar em algo chato. Até quando a gente grava algum jabá é de algo que a gente gosta e ficamos muito felizes em fazer e saber que alguma marca está nos apoiando e nos escolheu pra ser porta-voz de alguma forma.

Hugo – Acho que quando surge um vídeo que a gente acha que vai ser chato de fazer, a gente prefere não fazer porque sabe que não vai ficar legal. Mas é muito difícil dentro do universo das motos ter alguma coisa chata!


Houve alguma situação engraçada ou inusitada na gravação de algum dos muitos vídeos?

Guigo – Acho que nunca rolou nada muito fora do comum. Já teve uma vez que fomos interrompidos pela polícia no meio de uma gravação com uma moto sem placa que tinha sido enviada pela montadora pra fazermos um review. Mas depois de mostrar a documentação e o contrato de comodato da moto e esclarecer que se tratava de um trabalho, ficou tudo resolvido. Já houve alguns tombos e caneladas com as motos também! Saí na tangente de uma curva dentro do autódromo enquanto testava uma moto e por aí vai…


Depois de um tempo, apareceu a abertura característica que flerta com os seriados japoneses de super sentai. Era pra ser só uma zoeira ou tem relação com gosto pelo tema?

Guigo – As duas coisas! Quem conhece o canal sabe o quanto gostamos de rir dos outros e de nós mesmos. Então a zoeira está sempre presente, inclusive nessa vinheta de abertura. E, por outro lado, também foi uma homenagem pois somos muito fãs dos seriados antigos japoneses. Até podemos dizer que o Black Kamen Rider é um dos responsáveis por nossa paixão por motos!

Hugo – Essa introdução é bem legal porque grande parte do nosso público tem a nossa idade e também assistia os antigos seriados japoneses. Então rola essa identificação. Afinal, somos “nerds de moto” e é uma forma legal de brincar com isso também e apresentar, desde a introdução, o tom mais descontraído do nossos vídeos.

Abertura do canal inspirada nos seriados de super heróis japoneses: só falou um Gyodai pra aumentar alguma coisa e uma moto gigante
Black Kamen Rider: um dos muitos “pais” do Motorama

O que o Motorama trouxe de legal pra vida de vocês?

Guigo – Além de se transformar em uma atividade de grande importância em nossas vidas é um projeto que tomou uma proporção muito legal e tudo o mais. Acho que o mais legal foi perceber que, do nada, entramos em um pool onde antes só haviam jornalistas, sendo convidados pra testar motos em lançamentos, eventos e todas essas coisas bem próximas às montadoras.  E essas mesmas montadores viram em nós uma oportunidade de divulgação de marca. A gente se sente muito orgulhoso de tudo isso e nos motiva mais ainda de continuar com o trabalho.

Hugo – Duas coisas: a possibilidade de pilotar algumas das motos que eu pensei que nunca fosse nem ao menos ver de perto e a quantidade de amigos que fiz ao longo de todos estes anos de Motorama. Sem dúvida, em cima da moto, você conhece muitas pessoas legais.


E trouxe algo não tão legal? Nesse tempo, tiveram algum tipo de decepção com o mundo do motociclismo ou mesmo da tal internet?

Guigo – Com certeza a exposição na internet sempre vai trazer comentários e pessoas tóxicas. Se isso não acontecer é porque tem algo errado. Comentários negativos com críticas pesadas e, as vezes, até ataques pessoais aparecem com alguma frequência, mas não incomodam. Na verdade é sinal de bom alcance. E o público motociclista também é muito exigente, o que não é ruim. Porém, existem muitos sabichões que assistem nossos vídeos esperando o primeiro deslize ou a primeira canelada pra apontar e compartilhar por aí que não entendemos nada de moto. Mas isso não nos incomoda já que temos consciência total de que somos apenas dois amigos fãs de moto e que temos essa paixão junto com a vontade de aprender algo novo a cada dia. Não temos pretensão nenhuma de ser os maiores experts do mundo. Nossa pretensão é apenas de sermos amantes verdadeiros das duas rodas.

Hugo – Assim como qualquer outro trabalho que envolve exposição, estamos sujeitos ao julgamento de qualquer um que vê a nossa cara ali. Na internet as pessoas se sentem protegidas pelo suposto anonimato e, por isso, acabam falando coisas que não falariam pessoalmente para você. Isso pode ser um pouco complicado mas eu diria que não muda nada pra nós.


Hoje, no Brasil, os canais que mais fazem sucesso são os dos chamados moto filmadores. São aqueles, geralmente, dedicados às motos grandes de 4 cilindros onde, muitas vezes, o foco é fazer barulho (cortando giro) e apavorar nas ruas. O que vocês acham disso? É válido?

Guigo – Antes de criarmos o canal nós já assistíamos motovlogs mais “hardcore”. Por mais que não seja o tipo de atitude que a gente pratica, não tem como não ver os vídeos desses caras e não ficar com uma certa adrenalina. É legal de ver. Então existe uma relação de atração e perigo ao mesmo tempo. Não incentivamos ninguém a andar assim. No nosso canal pregamos o contrário disso sempre que possível e, inclusive, buscamos regularmente alertar sobre os perigos com uma conversa franca. Mas admiramos os motoqueiros que são bons no “grau”. É algo que gostaríamos até de aprender e, um dia talvez, role essa aula. Mas nossa vibe é outra sem dúvida.

Hugo – Já aprendi muita coisa vendo essa galera e admiro alguns. Assim como nós temos nosso público, porque os moto filmadores não podem ter o deles? Apesar de não ser nosso estilo, acho válido sim e tem que ter espaço para todos. Cada um é cada um.


Quais são os canais que vocês acham mais interessantes de acompanhar hoje em dia?

Guigo – Sempre fui um ávido consumidor de conteúdo na internet e, principalmente, no youtube, quando começaram a aparecer muitos canais com conteúdos muito bons e bem produzidos. No nosso segmento de motos, e até de carros, nós costumamos acompanhar canais amigos como o Vrum Brasília, Motorede, Motoplay e Durval Careca. Mas assisto também muito conteúdo que não tem nada a ver com o segmento, como o Jovem Nerd, por exemplo, que até dá pra dizer que foi uma grande fonte de inspiração e incentivo pro nosso canal.

Hugo – Aqui no Brasil curto acompanhar os vídeos apresentados pelo China no canal do Moto.com.br. Dos gringos, curto muito o canal Vox, o kaptainkristian (ambos não tem nada a ver com moto ). Tem também o Bike Shed e o Motorcyclist (da Motorcyclist Magazine) que até tinha uma dupla de apresentadores e, por isso, me inspirava um pouco neles para os nossos vídeos.


Ainda sobre boas referências, que canais e sites vocês indicariam pra galera acompanhar?

Guigo – Vamos a uma pequena listinha de 10 canais relacionados às motos pra poder ficar mais enxuto.

Nacionais:
Vrum Brasília
Motorede
Motoplay
Enxaqueca Motovlog
Webmotors

Gringos:
Bike Shed
FortNine
Motorcyclist
Stories of Bike
Ducati NYC Vlog

Nota: Motocultura também fez uma listinha há algum tempo de canais do Youtube que valem a pena acompanhar. Alguns deles batem com as indicações do Guigo e do Hugo e o próprio Motorama está na nossa lista.


Não é fácil produzir conteúdo hoje em dia. Exige tempo e dedicação. Mas, mesmo assim, vocês tem um plano de crescimento pro Motorama ou preferem deixar as coisas acontecerem normalmente?

Guigo – Produzir conteúdo no youtube dá muito mais trabalho do que muita gente imagina. É pré-produção com ideação do episódio, é roteiro, preparação de pauta e depois a gravação em si, que exige algum conhecimento técnico e também os perrengues e tudo acaba demorando sempre muito mais do que o planejado. E ainda tem a pós produção que é a edição em si, uma das coisas mais trabalhosas de se fazer. Depois disso tem a postagem, acompanhamento e monitoramento dos vídeos. É um trabalho bem mais complexo do que parece pra quem assiste e, desde o começo, procuramos ser organizados, tendo uma grade fechada e tudo o mais planejado possível. Porém, nos últimos 6 ou 8 meses, nosso ritmo de postagem caiu por conta de alguns compromissos pessoais que surgiram nesse tempo. Mas essa entrevista está vindo justamente em um momento de virada onde estamos preparando uma grande mudança visando uma dedicação mais forte no canal! Então fica esse spoiler pra deixar quem nos acompanha curioso e empolgado junto com a gente!


Como é o desejo de muita gente, dada toda sua trajetória até aqui, quais seriam suas dicas e conselhos para quem pretende montar um canal dedicado a motos no youtube?

Guigo – Daria pra listar tantas dicas com coisas que aprendemos no caminho que poderia até virar um curso! Mas algo que não podemos deixar de dizer e que consideramos primordial é que conteúdo vale muito mais do que equipamento e produção. Traga algo novo, encontre uma brecha de comunicação em algo que você gosta. E nunca deixem de ser vocês mesmos! Não criem personagens e nem tentem ser algo que não são. Sejam simples e aprendam a rir de si próprios, o resto vem no caminho.


E para quem quer começar a andar de moto?

Guigo – Aprenda a frear, aprenda a frear, aprenda a frear… Frear errado é uma das coisas que mais levam os iniciantes pro chão. Então, andem devagar e aprendam como funciona uma frenagem de moto. Tem gente que começa com moto grande e não iremos cagar aquela velha regra de que não pode começar assim. É claro que o ideal mesmo é que seja com uma 125, 150 ou até 250cc. Porém, muita gente começa com Harleys (que não tem modelos de baixa cc) ou com nakeds de 4 cilindros e, se esse for o caso, não faça nada que você não domine, ande devagar e tenha paciência. Excesso de confiança é perigoso e, quase sempre, é receita pra queda.


Moto vermelha com coyote anda mais rápido?

Guigo – Se for Honda sim! Mas se for Yamaha, a azul corre mais. Mas o acessório indispensável que faz qualquer moto dar pau em Hayabusa é o baú branco mesmo!


Pra finalizar, gostariam de deixar um recado bacana (ou bronca) para quem acompanha vocês?

Guigo – Primeiro de tudo queria agradecer muito o Motocultura por essa entrevista sensacional. Precisamos marcar um rolê juntos hora dessas pois nos identificamos muito com o conteúdo de vocês e admiramos o bom gosto pelas motos e customizações que vocês têm também. E, pra quem leu até aqui… puta merda! Eu te amo! Obrigado mesmo pela consideração! Kkkkk Se você já é um CGzeiro de coyote, ou seja, já acompanha o Motorama, fica aqui nosso agradecimento por fazer parte da nossa história. Se não for o caso, tá esperando o quê? Vai lá no canal e dá o tapa no play e se inscreva!

Hugo – Obrigado Guilhes* pela entrevista e vamos em breve colocar a conversa em dia pessoalmente e, com sorte, poder pilotar juntos! Se você quiser me emprestar sua RD350 também eu não vou achar nada mal!

Guilhes – A RD está a disposição quando vierem à São Paulo. Só que, infelizmente, o escapamento é um velho Sarachu. Mas eu providencio um Coyote de CG pra ela na ocasião  : )

(*Nota: editor responsável pela entrevista)


SERVIÇO
Site do Motorama:
canalmotorama.net
Motorama no Youtube:
youtube.com/canalmotorama
Motorama no Facebook:
facebook.com/canalmotorama
No instagam:
@canalmotorama
@guigo.pinheiro
@hugorenault


3 thoughts on “Motorama: Entrevista e a história do canal

  1. Alessandro Walger

    Parabéns pela reportagem e parabéns pela dupla do Motorama, os caras são gente boa, trazendo sempre notícias que nos interessam com leveza e humor… Já inclusive comprei camisetas da marca Motorama, são divertidas…. Sugestão: que tal explorar alguns motoclubes do Brasil, pedir a galera pra mandar notícias, enfim , nos conhecermos melhor….
    Participo em Belo Horizonte – MG de um grupo de amigos ( somos quase 300 que 90% tem Harley, mas todas são bem vindas ). não somos motoclube, nao temos presidente nada, apenas amigos andando no fds e fazendo eventos em prol de quem precisa ( arrecadamos cobertores, arrecadamos $$ para instituições que necessitam) , enfim, ajudar a que nao teve a mesma sorte ( seja em saúde, seja em $$ ). Se interessar somos os Pigsontheroad de BH, estamos no Instagram. Grande abraço.

  2. Regis

    O bom humor, a forma simples como o conhecimento é passado são as coisas que fazem a diferença nesse canal. Sou seguidor a um bom tempo, é o único canal de motociclismo que sigo justamente por esses motivos, outros canais assisto muito esporadicamente.

  3. Guigo Pinheiro

    Pra mim foi muito bom responder todas essas perguntas, foi uma forma de relembrar tudo o que rolou até aqui, o caminho que temos construído e também tudo o que vem pela frente!
    Obrigado Guilhes e todo mundo do Motocultura por ter proporcionado essa entrevista!
    Agora só queremos o rolê na RD! hahahaha

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