Thiago Matiussi: o responsável pelo Distinguished Gentleman’s Ride da maior cidade do Brasil

Thiago Matiussi é aquele cara querido por todo mundo. Onde chega, faz amigos. E também como chega: em cima de uma Yamaha RX “oitentinha” convertida para cafe racer que mais parece uma moto de brinquedo na qual ele mal cabe em cima. Todo mundo olha e todo mundo quer subir na motoca. As crianças, nem se fala. Acham que a moto é pra elas. Além do sorriso largo e de estar sempre de bem com a vida, Thiago trouxe para a maior cidade brasileira o passeio de moto com fins beneficentes que hoje está presente em mais de  505 cidades em 90 países. Em uma entrevista super bacana, Thiago Matiussi conta como tudo aconteceu, quais foram os perrengues, as coisas legais que a empreitada lhe trouxe, as curiosidades e tantas outras histórias. Boa leitura.

O passeio de moto Distinguished Gentleman’s Ride nasceu na Austrália, em Sidney, na cabeça de Mark Hawwa. A primeira centelha de inspiração veio por intermédio uma foto do personagem Don Draper (do seriado televisivo Mad Men), vestido em um belo terno e em cima de uma moto clássica. Mark realizou e percebeu que poderia ser uma boa ideia um passeio de moto com os pilotos vestidos como cavalheiros, para estabelecer uma conexão bacana com a comunidade em volta e para, principalmente, combater o esterótipo negativo dos motociclistas que perdura até hoje. Sendo assim, o primeiro passeio aconteceu em 2012 e o sucesso fez Mark pensar em levar a ideia mais adiante associando uma causa nobre ao projeto. Posto isso, lhe ocorreu a questão da saúde do homem, mais especificamente o câncer de próstata. A partir daí o passeio passou a angariar fundos pra o tratamento e pesquisa da cura do câncer. Em 2016 a causa se estendeu à questão da saúde mental do homem, motivada pela perda de um dos representantes do passeio que acabou tirando a própria vida em função da depressão.

A foto do seriado Mad Men: inspirou Mark Hawwa
Mark Hawwa: o homem que criou o The Distinguished Gentleman’s Ride

Do outro lado do mundo, pela internet, um paulistano da Mooca acompanhava aquele movimento todo e colocou na cabeça que aquela iniciativa em torno de uma causa nobre poderia fazer barulho e fomentar a discussão sobre o assunto na maior cidade brasileira, São Paulo. Sem relutar, enviou um e-mail para Mark, curioso, cheio de perguntas e alguns meses depois estava nas ruas da metrópole, em cima de sua pequena motinho, puxando um pelotão de mais de 400 motos.

Thiago colocando ordem na rapaziada. Vale até megafone.
DGR: fazendo amigos por onde passa.
Thiago e sua “Manu”, uma Yamaha RX 80 cafe racer.
Thiago, foi você que acabou trazendo o DGR para o Brasil?

Na verdade não. Até onde eu sei, o DGR já estava aqui quando eu comecei. Quem começou foi o pessoal do sul. O passeio já acontecia em Santa Catarina e no Paraná se não me engano. Até uma das pessoas do sul acabou ganhando um capacete, naquela coisa que acontece em todos os passeios de sorteios para quem conseguir arrecadar doações acima de um valor específico.

Como você descobriu que o passeio existia? Como a coisa toda começou?

Eu vi pela internet. Vi o passeio rolando lá fora. Nem sabia que já acontecia por aqui (no Brasil). Acabei descobrindo isso depois. Eu acompanhava o pessoal do Return Of The Cafe Racers que acho que foi onde começou meio que esse movimento todo. Era um blog, nem era Instagram, e acabei vendo por lá a divulgação do passeio no ano de 2013. Nisso acabei enviando uma mensagem pra pessoa responsável pela organização na Austrália, o Mark Hawwa, falando que tinha achado bacana, principalmente pela causa. Afinal, eu mesmo já havia perdido gente querida pra doença como meu avô, um tio… e acredito que essa questão é bastante importante, de conhecer e prevenir.

Comecei a conversar com o Mark e acabamos ficando próximos, principalmente por que enchi ele de perguntas sobre o passeio. Numa dessas, ele me perguntou se eu tinha vontade de organizar por aqui. Aí ficou um hiato de tempo e não falamos mais. Eu já estava trabalhando na minha moto com a Recar Motos (oficina de restauração de motos em São Paulo) e mais ou menos lá pelo meio de 2014 Mark me enviou uma mensagem: ” E aí? Você vai organizar ou não vai?”.  Pressionado eu comecei a pensar  “Será que dá?”, “Será que rola?” e mais um monte de outras dúvidas. Conversando, Mark disse que iria me ajudar, o que me deixou mais seguro e eu comecei também a falar com amigos tentando entender se alguns topariam, o que achavam e tal.

A bela moto projetada por Thiago e construída pela Recar Motos de São Paulo

Você pode ver a Yamaha de Thiago no detalhe, carinhosamente apelidada de “Manu”, no blog Garagem Cafe Racer.

E deu certo. Houve uma primeira edição de sucesso em 2014. Conta pra gente como foi.

Eu fui em frente e, na minha cabeça, achava que iriam comparecer umas 20 pessoas, que seria mais um brincadeira entre amigos. Acordei no domingo pela manhã e o tempo estava ruim. Virei pra minha esposa e disse que iria até o ponto de saída, no estádio do Pacaembu,  para conferir se tinha aparecido alguém e, se fosse um fiasco, com eu achava que seria, eu voltaria rapidinho pra casa. Falei “Daqui há pouco estou de volta.”.  Cheguei lá e tinha umas 100 pessoas! E a conta foi aumentando pois só chegava mais gente. Numa primeira estimativa umas 400 pessoas. Foi completamente inesperado. Até a Triumph, que era nosso apoiador, foi pega de surpresa. Mas no final das contas foi super legal. Pena que nem todo mundo entrou no clima de ir à caráter vestindo terno e tal. Mas foi um começo muito bom e de lá pra cá só aumentou.

No segundo ano foram umas 600 pessoas. Eu esperava umas 400. Isso trouxe alguns problemas. Eu não tinha experiência e não esperava tanta gente. Eu tinha todas as autorizações necessárias mas grande parte do público não se cadastrava no site oficial e, com isso, eu não fazia ideia de quantas pessoas compareceriam e não tinha como mensurar a infra-estrutura e planejamento. O que aconteceu é que o número de motos foi maior que o esperado e o passeio acabou se complicando um pouco no trânsito da cidade. Muita moto acabou fervendo.

Confira o vídeo da primeira edição (2014) em São Paulo

O vídeo da edição 2015 em São Paulo:

Por falar nisso, quais foram, ou ainda são, as grandes dificuldades nessas edições todas até aqui?

O DGR no Brasil, este ano (2017), acontecerá em 10 cidades. Então, hoje, existem mais pessoas no mesmo sufoco que eu, organizando o passeio, explicando sobre a causa, conversando com as autoridades locais. Mas todos nós enfrentamos o mesmo problema: burocracia. Tem de ter uma série de aprovações, autorizações, etc. Você conta ou não com o apoio de alguns órgãos públicos. Eu só tenho a agradecer, em São Paulo, à CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a Polícia Militar e a Polícia do Exército que deu um show na última edição.
As vezes a grande dificuldade é levantar fundos. Todo mundo que organiza põe dinheiro no evento e não tira nada. E nem deveria tirar, claro. É pagar cachê de banda, taxa da CET e por aí vai. A gente trabalha por uma causa e pelo amor às motos. O evento é beneficente mas isso acaba fazendo dele um evento que não se sustenta. Não é um evento que se paga. As doações vão direto pra fundação responsável, a Movember Foundation, que é uma das maiores, senão a maior do mundo que trata especificamente da questão da saúde do homem. No Brasil tudo que a gente consegue é com nossos apoiadores. Desde o primeiro ano temos o apoio da Triumph. De uns anos pra cá temos como valiosos e incríveis parceiros o Morumbi Shopping, A TRX Trimph, a revista Moto.com.br e o pessoal dos capacetes Lucca Customs. Mas todos os apoios são para minimamente viabilizar o evento. Então são eles que cobrem os custos de taxas, aluguel de lugares, etc.

E claro, a gente pede que as pessoas façam as doações. Não é condicional, o passeio é de graça, não paga nada pra participar, mas já que estamos chamando a atenção pra causa é importante se engajar até por que os dois assuntos, câncer de próstata e depressão são tabu para os homens.

E como foi a última edição (2016) na sua opinião?

O pessoal da TRX, da Triumph, que são pessoas que vivem completamente de moto, foram incríveis. Foram eles que praticamente viabilizaram o passeio no ano passado, conseguiram apoios como o da Polícia Militar e da Polícia do Exército, que foram essenciais. No ano passado o tempo estava horrível, ruim mesmo, garoa fina e tinha tudo pra ter uma adesão muito baixa, trânsito complicado. Mas todas as pessoas que foram falaram que foi a melhor edição do ponto de vista de condução do passeio em meio ao trânsito.

Os batedores da polícia, que vieram justamente por intermédio da TRX, fizeram um trabalho incrível coordenando o trânsito e ninguém tirou o pé do estribo da moto no trajeto inteiro. Foi muito fluído e seguro e nós também aprendemos muito com isso, subimos de nível!

Claro, estou falando de São Paulo e, como disse, tem outras pessoas fazendo em outros lugares. Mas cada lugar tem suas particularidades e problemas diferentes.

Vídeo da edição 2016 em São Paulo:

E esse grupo de organizadores se fala, se ajudam?

Sim, há uma troca de informação bacana. Nós nos aproximamos muito do ano passado para cá. A gente direciona os discursos lá pra fora e aqui pra dentro com os apoiadores. Não dá pra dizer que ninguém tem a vida mais fácil ou mais difícil. Cada lugar tem suas particularidades. E todos os passeios acontecem e são legais, na base de tentar proporcionar um domingo legal e consciente pros amantes das duas rodas.

Em cidades pequenas o cara vai atrás do apoio do dono do bar da esquina e isso não quer dizer que o passeio é menos importante, e nem o bar da esquina. Todos tem o mesmo peso pela mesma causa.

Boa colocação. E se alguém quiser apoiar o evento de alguma forma?

As pessoas podem apoiar em duas frentes, a causa e os eventos. A causa é fácil, basta doar, simples assim. Qualquer quantia. Apoio institucional, como um patrocínio, por exemplo, deve ser feito pelo canal central que é o site lá fora. A gente até fez um esforço no site e colocou uma parte dele em português.

Muita empresa acaba querendo patrocinar o evento mas como uma forma de ter visibilidade na carona do passeio, lucrar de alguma forma. O que você diz disso?

Isso é um ponto sensível. A gente organiza um evento beneficente. E isso acontece. É uma queixa que não é exclusiva minha. Muita gente as vezes quer patrocinar por que vê uma chance de lucrar com isso. O cara tem um bar e quer que o evento termine no bar por que ele não vê a causa, ele vê gente consumindo. E isso é o tipo de apoio que a gente não quer.
A gente quer que as pessoas vejam mil pessoas andando de moto e entendam que aquilo é pra falar de uma causa importante. É pra gerar debate. É pra chamar a atenção. É pro cara ver o passeio, ou participar, no domingo, e na segunda-feira ter uma clareza de ligar pro médico pra marcar um exame.

Você não vai ser menos homem se ir ao médico para falar sobre isso. Você só vai ser menos homem, menos qualquer coisa, se você morrer por essa falta de cuidado consigo mesmo.

Eu acho que quem se envolve com isso, as pessoas que organizam o passeio no Brasil inteiro, está fazendo isso por uma causa,  pra beneficiar a comunidade em geral. Então fica péssimo e inadmissível pra gente aceitar alguém que quer “ajudar” visando apenas o lucro.

Aproveitando, o evento tem um código de vestimenta e do tipo de moto. E tudo isso tem um motivo. Mas sempre tem alguém que reclama. O que você fala pra essas pessoas?

Em relação a vestimenta a queixa é recorrente. Sempre tem aquele que diz que não tem o terno ou que acha que não tem que andar de terno. Ou aquele cara que insiste de ir com o colete de moto clube. Sobre isso, é fácil e vai explicar muita coisa. É uma vez por ano. E o evento conta com esse apelo visual pra chamar a atenção. É o passeio dos cavalheiros que é uma brincadeira, com a moto e com as roupas, pra chamar a atenção pra uma coisa séria.

Então, a partir do momento que você desmonta esse apelo visual, perde o sentido. Acaba virando um passeio de moto como qualquer outro e as pessoas não vão mais ligar aquele apelo visual, que é uma coisa pensada, à discussão que ser quer gerar sobre a saúde do homem.

Mas sempre tem alguém pra criticar. Dia desses ouvi de alguém “Vocês são posers”… Primeiro: a gente não está ali querendo provar nada pra ninguém, quem a gente é ou quanto “real biker” são as pessoas que estão ali envolvidas.

Eu comecei isso pra proporcionar um domingo bacana pras pessoas que eu gosto e aí eu falo pros que me chamam de poser: “Cara, você já foi ao médico?”, “Já conversou sobre isso?”.

A ideia não é apontar dedo e ser fiscal de ninguém. Mas a partir do momento que você vai no passeio, é importante entrar na brincadeira. Se você vai fora da proposta, acaba quebrando essa coisa de associação com o tema. É como você ir de fusca num encontro de Opala. Mas as pessoas tem o direito de ir e se divertir. Se for fora da regra, tudo bem. Não vamos proibir e expulsar ninguém. Se quiser ir de carro atrás, pode ir. Mas eu só acho que tem de pensar que vai ser muito mais divertido e engajado se entrar no espírito, colocar o chapéu do avô e andar na moto mais velhinha.

E nesses três anos? Quais são as histórias legais que você tem pra contar?

A parte mais legal é fazer amigos no passeio e que acabam entrando definitivamente na nossa vida. Na primeira edição aconteceu algo bem bacana. Eu tinha acabado de montar minha moto. O para lama foi fixado cinco minutos antes de ir pro passeio que eu achava que não teria ninguém. O pessoal da Recar (oficina) virou a noite trabalhando nela e sempre apoiaram demais o passeio. Quem conhece minha moto sabe que ela é uma piada. Ela é pequena demais pra mim, barulhenta. Na verdade pequena demais pra qualquer um. Mas quando eu cheguei no Pacaembu eu vi três molequinhos vestidos no clima das antigas, incríveis! Eram os trigêmeos do Márcio Maidame que, depois disso, claro, tornou-se um amigo, justamente por intermédio do DGR. E quando os moleques viram minha moto piraram e vieram correndo! Ai eu perguntei a um deles se queria sentar na moto. Nisso os três voaram ao mesmo tempo pra cima dela. Fiquei eu lá segurando a moto e os três moleques em volta, brincando num clima muito legal. E justamente esse fato gerou uma foto, clicada pelo fotógrafo Wel Calandria, que acabou se tornando uma das fotos mais representativas do espírito do passeio. Foi parar até no Daily Mail (jornal inglês) e rodou o mundo. E no mundo inteiro todo mundo ficou querendo ter filhos como os do Márcio.
A grande verdade é como falei no começo, a melhor parte é a quantidade de gente legal que você conhece e as amizades que você faz.

A foto de Wel Calandria: tornou-se símbolo do passeio, rodou o mundo, e encheu um pai e uma mãe de orgulho dos seus trigêmeos
A foto da foto famosa
O reencontro com os meninos para presentear com a foto devidamente emoldurada
E como a moto entrou na sua vida?

Eu, como muita gente, não tenho uma história gloriosa com as motos. Risos. Tipo, “meu pai tinha uma linda sete galo e blá blá blá”. Eu era um garoto normal que assistia TV e pirava no seriado CHIPs (seriado televisivo dos anos 70 e 80 sobre a rotina de dois policiais patrulheiros motociclistas)! Eu tinha uma caloi cross e brincava com um amigo de CHIPs! Tinha capacetinho, as luvas, a camiseta e todo o resto. Então a paixão veio da TV. E meu pai tinha muito medo dessa coisa de moto naquela década de 80, quando muita gente morria de moto. Uma mobilete, que era o sonho de todo mundo, eu nunca tive. Mas eu mexia muito na dos outros, na bicicleta, no que fosse e aí era a paixão por motor, não necessariamente só a moto, mas aquela coisa curiosa de “Como funciona?”,  “Como abre?”, “Como conserta?”. Era curiosidade. Foi mais ou menos como isso nasceu na minha vida.
Hoje eu não sei porra nenhuma. A gente mexe um pouco, estuda. Mas eu sou chato, pergunto tudo. Eu vou na Recar Motos e fico perguntando tudo.

E isso é importante pra quem quer aprender e buscar conhecimento. É ter a humildade de descobrir quem faz, quem fez e ir lá perguntar. É aprender com quem fez e faz isso há muito tempo.

Os policiais do seriado CHIPs: inspiração para andar de moto
Isso pra quem quer ser customizador, por exemplo?

Sim, claro. Os caras que acho que estão bem hoje, nesse meio, são caras que tem a humildade de perguntar e vontade de apredender e não o cara que tá botando banca dizendo que sabe tudo. Vai fazer um Senai pra aprender a mexer, fazer um estágio com quem já trabalha com isso.

A humildade, em qualquer ramo, é uma chave pra abrir portas.

Então, pelo que você contou, não houve aquela primeira paixão, a primeira moto?

Não. eu nunca tive nada meu antes disso. Eu andava na dos outros. Aquela coisa que é meio do grupo de amigos, coletivo, que você comprava uma peça, arrumava alguma coisa em troca de poder andar no brinquedo do outro. Meu pai era muito duro com isso, da coisa da moto. Claro, tinha medo que eu me machucasse. Mas eu sei que era uma forma de cuidado e carinho. A primeira moto de fato foi essa que eu tenho agora que foi montada pelo pessoal da Recar Motos.  Hoje eu estou mexendo numa NSU 50cc 1962, que é basicamente uma mobilete. Se não fosse o pessoal da Recar, eu nunca teria capacidade de fazer isso. Pra mim é uma alegria, uma terapia, ir lá num sabadão de manhã pra mexer na motoca e, claro, aprender.

O que você acha que falta hoje nesse meio das motos?

Olha, eu gosto muito de escutar o que o Zezé (Jose Peloso Filho, proprietário da Recar) fala. Ele é referencia pra mim. É um cara que viveu uma época em que moto era algo muito marginalizado, sofria muito preconceito. Esses caras viveram essa época. Foram os caras que de fato andavam no espirito cafe racer. E algo que eles falam é que não era aquela coisa pedante de hoje de só por que a gente anda de moto a gente é irmão e vai se abraçar na rua. Mas é a coisa do o cara que tem uma moto igual a sua ter respeito por você, por que vocês tem os mesmo problemas.

Se a moto deu problema, para e ajuda. Hoje eu sobrevivo de motoboy! Os caras dos motão nem param pra me ajudar se fico no sufoco. A gente vive num mundo cão em que é difícil exigir isso das pessoas.

Mas eu ouço o Zezé falar que, antes, tinha uma coisa mais de respeito ao próximo, solidariedade com quem esta trabalhando, andando, junto com você.

Thiago sempre entra na brincadeira com um capacete e um macacão de serviço das antigas
Jose Peloso Filho, o Zezé: mentor técnico, conselheiro e referência para Thiago
E, no final das contas, o que a história do DGR trouxe de legal pra sua vida?

Eu faço amigos por metro quadrado de forma rapidíssima. Essa coisa de moto, customização, me trouxe amigos no mundo inteiro. Eu fico muito feliz de receber todo mundo de todo lugar e mostrar a cidade, trocar experiência. São muitos amigos que eu conheci em função das motos. Isso tudo é muito legal e só foi possível por intermédio do DGR.

Eu acho que talvez as motos novas não tenham esse charme e esse apelo de aproximar as pessoas dentro e fora da oficina. Esse lance das customizadas e antigas tem a coisa do resgate da fidalguia sabe?

Seja um cara legal com o mundo que o mundo te devolve. Acho que é isso, é um cartão de visita bacana pra troca de experiencias. Não vira aquela coisa de “Minha moto é melhor que a sua.”. Não, pelo contrário! Minha moto não anda e a sua também não. Vamos rir juntos.

Claro que os trigêmeos são encontro recorrente. A segunda da esquerda para a direita é a mãe dos meninos, Gabriela Finco. Na ponta direita, o pai, Márcio Maidame.

Thiago é um legítimo filho do bairro da Mooca, em São Paulo. A entrevista não poderia deixar de acontecer no bairro vizinho do Brás, na pizzaria mais antiga da cidade de São Paulo, a Castelões que existe desde 1924. Lugar onde Thiago frequentava quando era criança.

Como fazer para participar do Distinguished Gentleman’s Ride

Se você quer participar este ano do DGR no Brasil, ele acontece em 10 cidades diferentes (clique em cada cidade para mais informações):
São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Cascavel, Chapecó, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e Recife.
Data: 24 de setembro (domingo)
É preferível entrar na brincadeira, como você leu na entrevista, e ir trajado de cavalheiro das antigas e pilotando uma moto antiga ou clássica.
É fundamental se cadastrar no site oficial para os organizadores terem uma noção de quantas pessoas vão ao passeio.
Rota do passeio, ponto de partida e ponto de chegada de cada cidade são revelados próximas a data do evento. Fique de olho na sua cidade.

Confira o vídeo de chamada para o passeio 2017