Yamaha XT600E Scrambler

Uma Yamaha XT600E projetada por um italiano apaixonado por motores 2 tempos e, obviamente, Vespas, ganha uma cara nova e agressiva em um projeto construído especialmente com o intuito de rodar no dia a dia do caótico trânsito e ruas esburacadas da cidade de São Paulo sem abrir mão de levantar poeira e lama quando for preciso. Conheça um pouco do projeto finalista do Concurso Moto Customizada do Ano Motocultura e da história de seu construtor.

Matteo e sua criação

Matteo Pellizzer nasceu um uma minúscula localidade no interior da Itália, veio para São Paulo e morreu de amores pela cidade. Parece clichê mas não é. Além disso, para reafirmar toda sua procedência e sua D.O.C, abriu uma pizzaria que já conta com dois endereços e só elogios dos clientes. O que Matteo não sabia era que o trânsito e as condições lamentáveis das ruas da capital do Estado de São Paulo nunca foram exatamente amigáveis. Não pensou duas vezes e decidiu construir uma motocicleta robusta e pau pra toda obra no melhor estilo scrambler. Afinal, quando em Roma, faça como os Romanos.

Como começou sua relação com as motos?

Matteo: Comecei muito cedo. Com 13 anos de idade já andava de moto. Também personalizava e preparava Vespas para competição e arrancada na Itália. Quando cheguei no Brasil, acabei ficando sem moto. Foi um ano sem poder andar. Mas depois que as coisas melhoraram, acabei comprando um Honda XLX250. Essa moto me deu dois momentos muito felizes, o dia em que eu comprei e o dia em que a vendi (risos).

Como apareceu ideia da XT600 e da customização dela?

Matteo: Depois da famigerada XL, acabei conseguindo uma CB400 1982, um dos ícones do motociclismo aqui no Brasil, que é uma moto que pessoalmente acho muito legal. Eu já queria modificá-la mas ela estava tão inteira e original que meus amigos me proibiram de mexer nela. Depois dessa ameaça comecei a procurar uma moto pra modificar que fosse ideal para uma cidade como São Paulo com muito trânsito e buraco, que fosse ágil e prática para o dia a dia mesmo. Encontrei um XT600E que estava bem inteira e que tinha um bom motor e um ótimo custo benefício para o que eu imaginava. Assim que peguei a moto já comecei a cortar, mesmo sem ideias muito claras, e pesquisar referências de algo que fugisse do clichê e do lugar comum.

Ao longo do processo, uma das decisões foi tentar manter uma espécie de DNA Yamaha e, com isso, muitas peças trocadas eram também Yamaha. O tanque é de RD135, tampa do tanque da RD350 e tantas outras peças da marca japonesa.

Como foi o processo de construção?

Matteo: Primeiro deixamos a moto pelada. Tirando todas as carenagens, tanque e banco. A primeira coisa foi encurtar a parte traseira, cortando parte do subframe. O segundo passo foi achar um tanque que combinasse com a moto. O da RD135 ficou ótimo mas tivemos de refazer o túnel e fazer dois cortes na frente para o curso de esterço das bengalas. Aros e pneus foram trocados, 18 na frente e 17 atrás e mais largos que os originais. Na frente foi construído um pequeno number plate que ganhou dois number plates laterais para o conjunto. Além disso os number plates laterais escondem o filtro de ar original que permaneceu para poder rodas com a moto em qualquer condição sem se preocupar com chuva ou lama em excesso utilizando filtros esportivos mais sensíveis a esse tipo de coisa.

O escapamento é o grande destaque, feito sob medida em aço inox. Foi colocado um amortecedor a gás na traseira e depois partimos pro acabamento como o banco, a rabeta e a preocupação com as linhas gerais do conjunto da moto.

E como foi o processo de documentação da moto?

Matteo: O processo foi relativamente tranquilo. Acabei entrando com os documentos no Detran depois da moto modificada e por isso acabei pagando uma multa. A papelada foi liberada e acabei indo para a vistoria do Inmetro onde tudo foi testado para liberar um laudo com todas as alterações e que atestava que a moto era segura e poderia rodar. Os técnicos adoraram andar na moto! Com o laudo em mãos, constando todas as modificações, demorou mais ou menos uns 20 dias para sair o documento constando as modificações visuais.

Assista ao vídeo da entrevista

O projeto idealizado por Matteo foi executado com esmero pela oficina Mr Bikes de São Paulo. Matteo hoje roda tranquilo com a bela XT pela cidade e, como acabou fazendo tudo dentro da lei, não acabou em pizza : ) Confira os detalhes do projeto abaixo! A moto foi escolhida como uma das finalistas na primeira fase do Concurso Moto Customizada do Ano Motocultura e concorre em novembro com mais 4 motocicletas que serão avaliadas em mais quatro edições do evento! Você também pode inscrever a sua moto aqui.

Robusta, simples e imponente. A XT600E 2002 se transformou em outra moto.

Number plate discreto e o charme do pequeno farol quadrado
Frente limpa e mostrador compacto com todas as informações
O belíssimo trabalho na curva do escapamento em aço inox
Lanterna e setas integradas e escondidas sob uma pequena grade traseira.
Banco feito sob medida
Number plates laterais combinando com a frente e a saída do escapamento apontando para cima
O aviso embaixo do paralama traseiro: work in progress
Piscas dianteiros sob os manetes e o DNA Yamaha preservado no grafismo
Pneus mais largos para encarar qualquer terreno e proteção das canelas da suspensão dianteira.
Até a Yamaha RD350 foi parar na XT. Tampa do tanque da apimentada esportiva nacional dos anos 80 e 90
Embaixo do capacete tem o sorriso simpático do italiano que adotou o Brasil

 

Fotos e vídeo: André Santos

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