Honda CB1000R Neo Sports Cafe

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Lançada em 2018, a nova versão da CB1000R chega as terras descobertas por Cabral pra tentar emplacar por aqui a estética retrô com linhas mais modernas. Se o público brasileiro, enigmático como sempre, vai comprar a ideia, só o tempo vai dizer. Mas qual foi a trajetória da 1000cc até esse ponto? 

Honda CB1000R Neo Sports Cafe

A CB1000R tem uma história relativamente curta desde sua primeira aparição em 2008. A proposta, desde o início, era de uma motocicleta de quatro cilindros naked tanto para uso urbano quanto para a estrada. Foi apresentada em 2007 na prestigiada EICMA (Esposizione Internazionale Ciclo Motociclo e Accessori). A primeira CB1000R veio para tomar o lugar no mercado da Hornet 900, a CB900F  chamada de Hornet 900 na Europa e Honda 919 nos Estados Unidos (que nunca veio para estes lados por meios oficiais). Portanto, desde o início, a ideia sempre foi utilizar o motor de uma esportiva puro sangue e amansá-lo para uma tocada mais urbana e confortável. Tanto o é que a antecessora Hornet 900 utilizava nada mais nada menos que o motor da icônica CBR900RR devidamente retrabalhado para a Hornetona. Portanto, dá pra concluir que o R sempre presente nas CB1000 provavelmente tenta denotar que o DNA esportivo está de fato presente na moto por conta das doadoras de motores.

Honda Hornet 900
Hornet 900: sonho de moto filmador nos anos 2000 que nunca veio para cá. A antecessora da CB100R.
Honda CBR900RR
Honda CBR900RR: sonho de consumo de muito aspirante a piloto. Emprestou o motor para a Hornet 900.

A primeira filha da família CB1000R foi pelo mesmo caminho. Pegou emprestado o motor da esportiva CBR1000RR e seguiu a estética vigente de uma das motos de média cilindrada de maior sucesso da marca, a CB600F Hornet de segunda geração. Olhando de longe, não fossem as abas do tanque e alguns outros detalhes característicos como o mono braço traseiro, algum desavisado poderia afirmar tratar-se da mesma moto.

Honda CB1000R
A primeira: CB1000R, carona no sucesso da CB600F Hornet
Honda CB1000RR 2007
Honda CB1000RR: seguindo a tradição, uma esportiva puro sangue emprestou o motor para a irmã naked.
Honda Hornet 600
A amada Hornet 600: de tão famosa, ditou moda.

Pelo menos no Brasil, por conta do sucesso estrondoso da Hornet 600, a CB1000R, fazendo as vezes de uma Hornet anabolizada, também pegou carona no sucesso da média cilindrada mais desejada pelos aspirantes a Valentino Rossi de várzea e dos amigos do alheio. O design característico ficou tão marcante e tão desejado que acabou sofrendo e se degradando com o próprio sucesso. O que mais se via pelas ruas eram motos menores modificadas tentando lembrar de longe a Hornet. A coisa até foi “oficializada” quando em 2009 chegou a CB300R imitando exatamente o look da Hornet e, não à toa, ganhou o apelido de mini Hornet. O desenho, e a própria Hornet 600, acabou virando uma espécie de “Camaro amarelo” das motocicletas. O único caso semelhante que se tem notícia é o da Yamaha R1 cuja frente icônica só não era colocada em Honda Biz por que não combinava.

Honda CB300: pequena escrava da moda

Mas em 2016 a Honda deu fim a CB1000R “Hornetão” e, depois de um pequeno intervalo, em 2017, apresentou uma família de motos embarcando na tendência de limpar o visual das motocas, homenagear o design do passado e, ao mesmo tempo, manter uma aparência mais moderna. Tratava-se da nova CB1000R que também ganhou irmãs menores com o mesmo visual, a CB300R e a CB125R. Novamente a motoca foi apresentada na EICMA (por ninguém menos que o lendário piloto de moto velocidade da marca Michael Doohan, penta campeão de moto velocidade).  Lá fora também já há a versão 650 com o mesmo estilo. A todo esse movimento cunhou-se uma espécie de subtítulo: Neo Sports Cafe.

Honda CB1000R Neo Sports Cafe
Filha mais nova: em estilo retrô e também futurista, um novo projeto pra acabar de vez com a estética horneteira.
Honda CB300R
Irmã do meio: a versão de 300 cilindradas dentro no novo conceito criado pela Honda.
A irmã caçula: Honda CB125R. Pra quem curte um cafézinho…

O novo design e conceito dividiu opiniões. Mas o movimento da Honda é digno de apoio e aplauso já que a marca é sabida e explicitamente uma das marcas mais conservadoras em termos de ousadia de design e também famosa por apostar, na maioria das vezes, somente no que dá muito certo e explorar um design até a sua exaustão, como foi justamente o caso da fórmulinha pronta do desenho das naked superbike e suas derivadas. E a Honda queria justamente se livrar desse carma. Curiosamente, no site brasileiro, o termo Neo Sports Cafe aparece bem tímido perdido em uma frase marketeira pronta em meio a alguns poucos textos “vendedores” (nos sites gringos o termo está mais na cara e evidente). Sinal de que, talvez, a Honda Brasil sabe muito bem com quem está lidando. O público motociclista por aqui é tão conservador e avesso a mudanças quanto a marca.

Os designers da Honda chamaram esse movimento de minimalismo retro-industrial o que, de fato, dá pra perceber na moto que tem um formato mais compacto, mais acabamento em metal evidente e pouco plástico. Também há a volta do farol redondo que ainda está em alta. A parte retrô diz respeito ao design em geral da motoca e a parte futurista está nos faróis  e luzes de led assim como em toda tecnologia embarcada que tem até sistema ride by wire (aceleração eletrônica) e seleção de quatro modos de pilotagem (que convenhamos não é nenhuma grande novidade já que outra marcas já tem isso faz tempo…). Um item de segurança bacana é o alerta de frenagem que basicamente é o acionamento do pisca alerta quando o piloto se vê em apuros e tem de frear bruscamente.

O protótipo

Apresentado em 2017 na EICMA, o protótipo não funcional chamava bastante a atenção e, obviamente, a versão de produção é levemente diferente.

 

O teaser de 2017

Uma coisa engraçada é que, de longe, levando em conta as evidentes diferenças, o design em linhas gerais chamado neo sports cafe lembra bastante as linhas gerais do sucesso das MT da Yamaha…

Eterna rivalidade: MT e CB, linhas gerais bastante semelhantes

De fato, a moto é um projeto completamente novo onde até mesmo o quadro é exclusivo e tenta evidenciar o tal minimalismo. E a rabeta não é de plástico! É alumínio. Uma herança de sua antecessora, apenas estética, é a balança traseira mono braço. E o design, como já deu pra perceber, quer fugir completamente do conceito manjado de naked que a própria Honda acabou criando.

O motor retrabalhado da CB1000RR prioriza o torque no lugar da velocidade final e tem seus 141 cavalos transmitidos à roda por uma caixa de 6 marchas. Se você quer saber todas as características técnicas no detalhe é só visitar o site da Honda.

A motoca já desembarcou oficialmente no Brasil e tem preço sugerido (em fevereiro de 2019) de R$ 58.690. A grande pergunta é: será que vai agradar os brasileiros? O fato de ter quatro cilindros já ajuda já que sabemos que o brasileiro tem um fetiche louco por quatro canecos. E como todas as Hornet wanna be estão sumindo… será que vai acabar o cenário de moto filmadores brasileiros?  Só o tempo dirá… Mas pra quem curte e conhece moto, não dá pra negar que a nova CB1000R é um motão e um baita de um brinquedo de gente grande.

CB1000R em sua versão definitiva de produção

Pra quem curte um visual mais moderno e diferentão e a tradição e confiabilidade da marca, a nova CB1000R pode ser uma boa pedida apesar do preço um pouco salgado (tecnologia e inovação custam caro). Mas se você quer algo na direção de um retrô mais “raiz” mas sem abrir mão da modernidade e tecnologia, vale a pena dar uma conferida na concorrente não tão direta da Kawasaki, a Z900RS. E como a moda do retrô está em alta, se você for um cara mais oitentista, também vale dar uma olhada na nova Suzuki Katana que, apesar de já ter patente registrada no Brasil, ainda não tem previsão de vir pra cá.

Kawasaki Z900RS: opção retro mais em conta e mais “raiz” sem abrir mão da tecnologia moderna.
Suzuki Katana: ainda não veio mas, se vier, é uma opção retro pra quem está mais para os anos 80.

Mal nasceu e está inspirando coisa boa

Um conceito interessante também acabou surgindo a partir da nova CB1000R. O designer Valerio Aiello, da Honda de Roma, bolou uma moto conceito bastante inspirada na nova CB1000R mas muito, muito, muito mais bacana. Trata-se da CB4 Interceptor. Claro, é uma moto conceito que teremos quem sabe daqui uns 20 anos. A piração tem até superfície touch screen no tanque e uma turbina incorporada no farol para gerar energia limpa!

Valerio Aiello e sua criação inspirada na CB1000R

Assista ao vídeo explicando o conceito:

Mas e dá pra customizar?

Sempre dá! Olha que interessantíssima essa versão criada pelo Honda Racing Team da Inglaterra para ser pilotada pelo próprio Michael Doohan! A balança traseira aparentemente foi alongada e o conjunto de suspensões e alguns componentes foi trocado pelos da CBR1000RR SP. Além disso, a moto ganhou um esquema de pintura super bacana lembrando a própria e lendária NSR500 Rothmans de Doohan quando apavorava nas pistas do GP500. (veja mais fotos aqui)

E você? O que achou da nova família da Honda? Teria uma? Conte pra gente!