Kawasaki Ninja – as pequenas esportivas de baixa cilindrada

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Em um passado não tão distante, nos anos 80 e 90, as motocicletas esportivas de baixa cilindrada eram uma realidade nas ruas europeias e japonesas. Por razões diferentes. No Japão, berço da indústria moderna, o desenvolvimento e pesquisa constantes, aliados ao circo de competição, davam a luz a pequenos foguetes, muitos impulsionados por motores 2 tempos, projetados com o que havia de melhor em termos de tecnologia como as Yamaha TZR 250 e as Honda NSR 250. Já na Europa, por questões de legislação, havia um mercado promissor de motos de entrada pra jovens de 16 anos que podiam pilotar desde que com limitação de potência para as máquinas. Casos como o da Cagiva Mito e da Aprilia RS 125, que ficavam na casa dos 30 e poucos cavalos.

Yamaha TZR 250
Honda NSR 250
Cagiva Mito 125
Aprilia RS 125

Mas como os tempos foram mudando, a indústria também foi se adaptando e os motores quatro tempos também estavam lá. As grandes fabricantes também ousavam em modelos de motores de baixa cilindrada recheados de tecnologia de ponta como a Kawasaki ZXR 250, lançada em 1989, com 250cc distribuídos em 4 cilindros.

Kawasaki ZXR250

Aparentemente a Kawasaki parece ser a ponta de lança de um movimento crescente que tenta trazer de volta as pequenas esportivas. Em 2013, por aqui, lançou a encarnação contemporânea de sua “Ninjinha”, a Ninja 250 R com motor bicilíndrico. O sucesso foi estrondoso.

A gente só precisa fazer uma pequena e importante observação. Parece que os engenheiros se esforçaram ao máximo para produzir o pior ronco do mundo de um motor de motocicleta na pobre Ninjinha. Acabou virando até piada no meio das duas rodas pelo fato da moto em aceleração lembrar muito o choro do personagem Quico do programa mexicano de humor de enorme sucesso Chaves. Tirando esse pequeno probleminha, a motinho se provou uma pequena joia mecânica.

Pelo menos no mercado brasileiro não havia uma opção sequer de uma carenada esportiva de entrada que coubesse no bolso. E, justamente por isso, por aqui, a Ninjinha encheu as ruas mostrando um potencial enorme de mercado. As outra fabricantes logo perceberam a oportunidade e saíram literalmente correndo atrás do prejuízo e da Kawasaki. Em 2019, no salão de Tóquio, a fabricante apresentou sua ZX-25R, relembrando os distantes anos 80 e 90, com 250 cilindradas e, novamente, quatro cilindros.

A decisão do número de cilindros acaba sendo uma decisão de mercado pelo apelo inegável. Mas também implica em custo e tecnologia. Mas porque quatro cilindros em um motor tão pequeno?

A grosso modo, existe um cálculo matemático no que diz respeito a retirar o máximo de potência e performance de um motor por conta do número de cilindros e do que se quer no que diz respeito ao uso do veículo. A distribuição do volume de mistura ar combustível em cada cilindro vai determinar se o motor vai ter torque, potência ou um pouco dos dois. As leis da física não deixam você ter o melhor dos dois mundos em um único motor.

O que temos hoje em dia, em termos de equilíbrio e tentar ter torque e potência em um mesmo conjunto, são os motores de 3 cilindros. Cada vez mais populares tanto em motocicletas quanto em automóveis.

A questão é projetar o conjunto mecânico ideal que minimize atrito, calor, peso e esforço. Quanto mais cilindros, menor o volume que cada um desloca, bielas mais curtas, curso menor e consequentemente a possibilidade de um giro mais alto e um rendimento ideal nas rotações mais altas, cenário ideal para veículos esportivos. Tanto o é que verdadeiros esportivos tem motores de 6, 8, 10, 12 cilindros. Justamente para distribuir o trabalho pelo maior número de cilindros possível e extrair potência em alta rotação.

Não a toa os motores diesel de utilitários, geralmente 4 cilindros, tem cilindros que são verdadeiras panelas. O motivo é muito simples. O que se quer do veículo é que ela tenha força, torque máximo em baixas rotações. Daí a decisão de cada cilindro deslocar um volume gigante de mistura ar combustível. Um trator John Deere JD 5603, por exemplo, tem praticamente 4.000cc distribuídos em 4 canecos. Veja bem, é um litro de capacidade para cada cilindro. Imagine que no motor do trator tem um carro 1.0 em cada caneco. Com essa configuração, por conta do peso dos cilindros, extensão das bielas e o enorme peso e atrito, a faixa de potência máxima fica abaixo dos 2.500 rpm. É praticamente impossível fazer esse motor girar além dessa faixa sem explodi-lo em pedaços. O resultado é um torque bruto em baixa rotação que possibilita que o veículo tenha uma força descomunal para cumprir as tarefas para as quais foi projetado.

Voltando as motocas, a decisão de 4 cilindros em uma motocicleta que poderia tranquilamente ter um ou dois cilindros tem uma única razão: mais potência em alto giro em relação a motores de mesma cilindrada de 1 ou 2 cilindros. Obviamente há o ônus. São mais peças móveis, mais manutenção e maior custo. Tudo tem seu preço.

Com os devidos esclarecimentos e colocações, vamos então dar uma olhada na linha de esportivas de baixa cilindrada que a japonesa Kawasaki nos trouxe ao longo do tempo. Pra organizar a bagunça, nosso ponto de corte é 500cc e também listar somente aquelas que carregaram o famoso título de Ninja. Mas antes vale lembrarmos duas coisas importantes. O nome Ninja nasceu especificamente para o mercado norte americano por uma questão de marketing. A primeira e legítima Ninja, a GPZ900R, nascida em 1984, só ganhou o nome Ninja quando foi justamente lançada para o mercado do Tio Sam. No Japão ela não era conhecida como Ninja. Mas o sucesso foi tanto que a fabricante adotou o nome definitivamente. Nome que acabou virando sinônimo de esportividade e performance.

Mas… por conta disso, é importante lembrar que muitas vezes o marketing não é exatamente honesto (novidade né?). Como o nome Ninja se provou um baita argumento de venda, a Kawasaki não foi boba e estampou o título em muitos modelos que de esportividade e performance não tinham lá exatamente muita coisa. E vale lembrar que muitas delas nunca deram as caras por aqui.

Um cilindro

Kawasaki Ninja 80RR

Kawasaki Ninja 80RR: lembra bem de longe nossas saudosas Yamaha RD135Z
Uma versão “tunada” para lembrar as GPZ

Motinho 2 tempos de 1 cilindro com 80cc pensada especificamente para o mercado do sudeste asiático. Não foi comercializada somente com o nome Ninja e ganhou outras denominações na Tailândia (Micro Magnum) e nas Filipinas (AR80 LC). Teve algumas variações de design em versões com carenagem de farol e também versões com semi-carenagem e spoiler. Tinha câmbio de seis marchas e algumas contavam com refrigeração líquida. Era a evolução de um modelo de 50cc e ganhou em alguns mercados versões de 100cc e 125cc. Como o mercado asiático é louco por personalização, é muito difícil encontrar imagens da moto original. Mas existem muitos grupos de entusiastas do modelo nas redes sociais principalmente na Malásia.

Kawasaki Ninja 125

Lançamento recente e já disponível em alguns mercados como o europeu. Uma monocilíndrica com 15 cavalos que herda a estética mais recente da linha de esportivas da Kawasaki.

Kawasaki Ninja ZX-150RR

Outra dois tempos de um único cilindro. Uma belezinha que permaneceu no mercado até 2016. Com seis marchas tem 30 cavalos de potência.

Kawasaki Ninja 250SL

Veio para substituir a 2 tempos ZX-150RR. Tem 27 cavalos gerados por um motor 4 tempos de um cilindro.

Dois cilindros

Kawasaki Ninja 250R

Nossa velha conhecida que chegou por aqui pra balançar o mercado das pequenas. Mas vale lembrar que motinho estava rodando por aí desde 1983 com o nome de GPZ 250. Adotou o nome Ninja a partir da geração de 1986 e finalmente ganhou um redesign gigantesco em 2008 resultando na Ninjinha que vimos desembarcar por aqui. Em 2013 fez outra cirurgia plástica pra dar um up na auto estima. Entrega 29 cavalos com seus dois cilindros.

A mãe das Ninjinha 250 de dois cilindros
Os bonitos modelos do início dos anos 2000
Ninja 250 2003

Kawasaki Ninja 300

Prima distante da Shineray? Nunca saberemos.

Praticamente uma evolução da 250R. Baseada na mesma moto, teve a cilindrada aumentada e ganhou um banho de loja meio duvidoso… Ninguém me tira da cabeça que a frente é igual a frente da Shineray XY 250 Racing.

Kawasaki Ninja 400R

O modelo foi vendido em pouquíssimos mercados e era uma versão encolhida da Ninja 650R. Praticamente a mesma moto com um motor menor. Tanto o é que no Japão ganhou uma versão naked, irmã menor da ER-6n, a ER-4n.

Kawasaki Ninja 400

A sucessora da Ninja 300. Lançada em 2018 principalmente para renovar o visual das pequenas e alinhá-las a super esportiva de sucesso da casa, a Ninja H2. É uma motocicleta completamente nova e não tem relação alguma com a Ninja 300 anterior. O motor de dois cilindros paralelos promete 48 cavalos.

Mamãe quero ser grande: algumas linhas lembram as H2

Kawasaki Ninja EX 500

As primeiras 500 ainda sem o nome Ninja
A Ninja 500. Uma ótima moto que não agradou ao brasileiro.

Uma moto comportada com o nome Ninja mas que, mesmo assim, foi um sucesso tremendo de vendas no mercado global. O desempenho razoável aliado a um custo de manutenção mais baixo do que de uma moto verdadeiramente esportiva era seu segredo. Chegou a desembarcar por aqui mas teve uma recepção gelada do público. Tinha tudo pra ser uma concorrente de peso para as Honda CB 500 e as Suzuki GS 500. Por alguma razão, não agradou. As motos sumiram do mercado brasileiro. É muito difícil ver uma rodando ou à venda. Seu motor de dois cilindros entregava quase 50 cavalos.

Quatro cilindros

Kawasaki GPZ400R Ninja

Modelo irmã menor do sucesso GPZ900R também nascida em 1985. Aparentemente só foi vendida no mercado japonês e o nome Ninja foi estampado na carenagem apenas nos últimos modelos de 88 a 89. Um quatro cilindros em linha gerava 59 cavalos.

As caçulas esportivas da GPZ que tornariam-se Ninjas

Kawasaki ZXR400

Kawasaki ZXR 400: Ninja de respeito

Por incrível que pareça, a pequena mais esportiva de todos os tempos da Kawasaki não levava o nome Ninja na sua carteira de identidade. Mas não dá pra deixar ela de fora da lista por conta disso. Seu quatro cilindros em linha de 398cc gerava 64 cavalos e seu design super agressivo lembrava muito as super esportivas contemporâneas maiores da marca.

E a gente aposta que você nunca ouviu um ronco tão lindo de uma 400cc como este aqui:

Gostou? Então toma mais um bocadinho : )

Kawasaki ZXR250

Outra Ninja puro sangue que misteriosamente não ostentava o nome nas carenagens. Uma versão menor da ZXR400 com quatro cilindros distribuindo 250cc e gerando 45 cavalos.

E o ronco? Bom, veja você… se eu fosse uma Ninjinha 250R eu corria me esconder.

Kawasaki Ninja ZX-25R

E pra fechar a lista, o lançamento quentinho da marca apresentado no Salão de Tóquio em 2019. A ZX-25R que traz de volta os pequenos motores de quatro cilindros pra alegria da rapaziada. Os rumores falam em 45 cavalos.

Se liga na belezura parada…

… e em ação

E ela já ganhou um versão de pista toda trabalhada na fibra de carbono…

Incríveis as pequenas não? Se você tivesse de escolher uma delas, qual seria? Conta pra gente nos comentários!

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One thought on “Kawasaki Ninja – as pequenas esportivas de baixa cilindrada

  1. Cláudio

    Excelente Texto. Motos de pequena e média cilindrada, mas com muita Älma”!
    Lembro de ter lido em reportagens mais antigas, que a potência no Japão era limitada por lei em 45 cv para as 250 e 59 cv para as 400… E, caso fossem vendidas em outros mercados, poderiam facilmente chegar aos 60 cv, para as 250 e 80 para as 400…

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