Primeira vez de moto em Interlagos

Quem já passou dos quarenta vai lembrar de uma época onde os rachas de rua eram comuns e ninguém se dava ao trabalho nem de usar ao menos um capacete. Era outra época, outro contexto e, tanto o é, que a própria origem das chamadas cafe racers vem destas mesmas corridas de rua.

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Duc Desmo acelerando a Ducati 996

Sem entrar na discussão de ser correto ou não (perigoso todo mundo sabe que é) a questão é que todo motociclista, em algum momento, já se imaginou em um autódromo, acelerando forte e fazendo curvas com o joelho raspando no chão assim como os ídolos dos campeonatos de moto velocidade.

Na minha adolescência o acesso aos autódromos era, no máximo, na condição de mero espectador. A pista era reservada somente para pilotos profissionais. Mas hoje a realidade é outra. Qualquer pessoa pode ter acesso a praticamente todas as pistas do país e até fora dele por intermédio de escolas de pilotagem, clínicas e os chamados track days que possibilitam o acesso, aprendizado e  experiência para aqueles que desejam realizar o sonho da pista de corrida de maneira relativamente barata e muito segura.

Aproveitando os novos tempos, antes tarde do que nunca, tive meu tão esperado dia de piloto e me inscrevi em um track day para experimentar a sensação das pistas.

Na noite anterior, não havia nada que pudesse controlar a terrível ansiedade, mal consegui dormir aguardando o relógio bater seis da manhã para pular da cama direto para a moto.
Nem a chuva pela manhã esfriou o ânimo. Vesti a capa de chuva sobre o macacão de couro e fui direto para Interlagos como se fosse um dia ensolarado e coberto de arco-íris.

Passar pelo portão de entrada em direção à área interna do autódromo já faz você sentir uma sensação bacana, algo como um certo “poder”. Isso me fez lembrar a fala de um dos pilotos instrutores durante a clinica que antecedeu a derradeira entrada na pista:

(…) “existem milhões de motociclistas no Brasil afora. Uma parcela muito pequena, talvez apenas mil, tem a oportunidade de subir em uma moto e acelerar em uma pista de competição. Podemos dizer que eles fazem parte da elite da motovelocidade nacional”.

Ok, a frase é meio marketeira, mas não deixa de ter um certo fundo de verdade no sentido de  fazer você se sentir o pica das galáxias em cima de uma moto antes de entrar na pista.

Mesmo em um dia que começou chuvoso, estavam todos esperançosos de que São Pedro fosse um cara legal e desse uma trégua. E valeu a pena esperar. No finalzinho da manhã a chuva parou, o sol timidamente foi dando a cara e, logo após o almoço, finalmente pudemos entrar na pista.

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Moto do dia-a-dia que também foi pra pista:  Ducati Hypermotard 1100

Checar equipamento, subir na moto e virar a chave, como em tantas outras vezes, naquele momento tinha algo diferente e especial. Era uma mistura de ansiedade, receio, euforia e expectativa.

Com o asfalto frio nos foi aconselhado realizar três voltas para aquecer suficientemente os pneus. Nas três voltas, observei, vidrado, cada detalhe da pista pra conhecer bem o traçado. A sensação é incrível. Entrar com sua moto em um dos templos da velocidade mundial é indescritível…

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O ponto de vista do piloto.

Pela TV, como estamos acostumados, a pista parece ser imensa em largura e que dá para correr com um trator por ali e ainda vai sobrar espaço pra meio mundo. Mas é só começar a andar um pouquinho mais rápido que você se sente dentro de um daqueles túneis de hamsters onde mal passa o pobre bicho. A pista fica MUITO estreita.

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A companheira de aventura: Ducati 996

Acelerar progressivamente nos trechos retos, posicionar a moto para fazer a próxima curva, tentar descobrir (e acertar) a tangente, sentir a moto inclinar… é tudo super emocionante. Terminar a tangente e enxergar o trecho de reta para a entrada da próxima curva é literalmente de arrepiar.

No final da curva do “café”, para  entrar na reta principal, não tive dúvida: mão direita até o talo e deixar o motor gritar. Aliás, a curva tem esse nome por que em um passado não tão distante, jornalistas ficavam ali por perto e preparavam café aos baldes. O cheiro da bebida era tão presente que podia ser sentido até pelos pilotos que por ali passavam, daí o nome.

Ver cada final de reta chegar, atingir uma velocidade final cada vez maior antes de acionar os freios de forma decidida mas cautelosa, na placa dos 150/100 metros, e apontar a moto para fazer um dos maiores símbolos de Interlagos, o “S” do “Senna”, uma sequência em forma de S que se junta a uma outra curva mais aberta para poder entrar na reta oposta é talvez onde a sintonia piloto e máquina traz uma adrenalina e um prazer indescritíveis.

No final do dia saí com  a sensação de ter me divertido imensamente e com gosto de quero mais, muito mais da sensação que só a pista oferece, mas de forma segura, responsável e em um ambiente controlado, com equipes de resgate e paramédicos e tudo mais o que tem direto. A partir deste dia passei, cada vez mais, a preferir a pista do que as ruas e estradas.

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Joelho no chão: quase lá

A dica final é: se quer ter um prazer ainda maior depois de ter deixado a sua moto do jeito que você sonhava, corra e inscreva-se em um curso de pilotagem para aprender a tirar o máximo proveito da sua máquina e aprimorar suas qualidades técnicas de piloto. Quando você perceber o resultado, vai se dar conta que o preço dos cursos é quase uma pechincha pelo que eles oferecem.

Dê uma olhadinha no pequeno vídeo sobre a experiência:

 

Cursos de pilotagem

Caso você queria encarar, separamos pra você alguns cursos de pilotagem nos quais o Motocultura já participou a aprovou. De qualquer forma, pesquise, pergunte a quem já fez e encontre o melhor para você.

Patricia Lupinetti Eventos
Al. Ezequiel Mantoanelli, 220 – Indaiatuba – São Paulo/SP
Facebook: http://www.facebook.com/pg/patricialupinettieventos
Fone: (11) 97601-8100

Motors Company
R. Maria Fagnani, 165 – Saúde – São Paulo/SP
Site: http://www.motorscompany.com.br
Fone:  (11) 3938-6834  e (11) 99670-6569

Speed Master
Site: http://www.speedmaster.com.br/
E-mail: info@speedmaster.com.br
Fone: (11) 99458-7351

Motoschool
Site: http://www.motoschool.com.br/
E-mail: info@motoschool.com.br
Fone: (11) 5524-5684

 


5 thoughts on “Primeira vez de moto em Interlagos

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