Royal Enfield Classic 500 Pegasus

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A Segunda Grande Guerra levou muitos fabricantes, de diferentes bens de consumo, a concentrarem sua produção exclusivamente nos esforços de guerra na tentativa de livrar, principalmente o teatro Europeu, do jugo nazista. Com as motocicletas Royal Enfield não foi diferente. A fábrica recebeu, no início de 1942, requerimento do departamento de guerra britânico a missão de produzir 20 motocicletas leves e robustas, para fins de testes, que pudessem ser entregues de paraquedas na zona de conflito. Deveriam ser leves e robustas justamente para que não sofressem danos no impacto com o solo. Conheça a história e como ela inspirou um modelo exclusivo e limitado da Royal Enfield Classic 500.

Sua designação era WD/RE, WD de War Department e RE de Royal Enfield. O motor dois tempos (provavelmente pra alívio de peso) tinha 126 cilindradas, 4 cavalos e meio de força e conseguia alcançar 72 quilômetros por hora. Seu peso era de apenas 59 quilos pois um dos pré-requisitos era de que a pequena motocicleta pudesse ser carregada pelos soldados sem grande dificuldade caso precisassem transpor barreiras pelas quais a motinho não passaria.

Royal Enfield WD/RE 125cc
Baixo peso era essencial para o projeto

A principal função da combatente de duas rodas seria de fazer ligação e comunicação entre tropas e linhas de frente quando o rádio não estivesse disponível ou houvesse alguma outra situação que impedisse a comunicação.

Durante os testes percebeu-se que a pobre moto, por mais leve que fosse, sofreria danos ao aterrissar de paraquedas. Para resolver o problema, foi projetada uma espécie de gaiola para proteger a moto, com a premissa de que também fosse leve, resistente e pudesse ser facilmente retirada. Tais testes conectavam as gaiolas com as motocicletas aos racks de bombas de bombardeiros Halifax e Lancasters, encarregados de lança-las nas linhas inimigas. Com os devidos ajustes, a motocicleta finalmente entrou em produção na fábrica de Calton Hill na cidade de Edinburgo.

A gaiola de proteção da WD/RE para que não sofresse danos no impacto com o solo: funcionou mas foi pouco utilizada

Apesar de todo o planejamento, poucas unidades de fato foram despachadas de paraquedas na zona de combate. A maioria, sem a gaiola de proteção, acabou descendo a bordo de planadores Horsa. Algumas também foram desembarcadas nas praias entre 1943 e 1944, a bordo de veículos especiais de desembarque na água.

O planador britânico Horsa acabou sendo o principal meio de transporte das pequenas Royal até a zona de combate

A pequena guerreira tinha luzes tímidas (para se esconder do inimigo) assim como podia rodar com quase qualquer tipo de combustível. Ficou popularmente conhecida como pulga voadora (Flying Flea) nos campos de batalha.

Os responsáveis por levar a motocicleta ao teatro de guerra eram as divisões aéreas britânicas recém criadas: a 1st Airborne Division, de 1941 e a  6th Airborne Division, de 1943. Suas insígnias eram a figura mitológica grega do cavalo alado Pégaso com um guerreiro montado sobre ele e armado de uma lança.

De olho nessa história super interessante a Royal Enfield lançou um modelo exclusivíssimo de apenas mil unidades da Classic 500 travestida de Flying Flea, em homenagem aos feitos tanto dos homens como das motinhos que combateram ao lado dos aliados. Basicamente a motocicleta é exatamente a mesma Classic 500 atual e as mudanças são apenas estéticas. Mas que a motocicleta ficou linda não há como negar. Cromados e escovados deram lugar ao preto e, além de duas cores que remontam a veículos militares, as tampas laterais do motor também estão nas mesmas cores: service brown e Olive Drab Green, lembrando as WD/RE em serviço nos anos 40. O toque de classe é a insígnia das divisões aéreas inglesas no tanque, a figura do Pégaso, assim como uma matrícula militar em estêncil imitando a Royal WD/RE dos tempos de guerra.

Fred Glover, 92, vetereno das divisões paraquedistas, ao lado da Royal Enfield Classic 500cc Pegasus e da moto que a inspirou, a WD/RE 125cc, Flying Flea

 

Classic 500 vestida para a guerra: homenagem à pequena 125 dos anos 40

Para quem curte o tema militar e a história da Segunda Guerra Mundial a moto é um prato mais do que cheio
O emblema da divisão paraquedista e matrícula militar no tanque. E a lindíssima mala lateral.

Nas fotos de divulgação a moto vem com duas lindas malas laterais, aparentemente de lona, que também levam a insígnia da companhia Pegasus. Porém, não está claro se as malas acompanham a moto.

Para fechar com um detalhe bacana, a marca também disponibilizou camisetas e pins que remetem tanto à motoca quanto a divisão aérea Pegasus no melhor estilo “Se não dá pra comprar a moto, ao menos compre uma camiseta.”. Você pode ver as camisetas e os pins aqui.

Se não dá pra comprar a moto, ao menos dá pra levar a camiseta pra casa

Muitos entusiastas da Segunda Grande Guerra vão babar quando virem este tipo de coisa e, além disso, mesmo a Royal já sendo uma moto bastante exclusiva e sem concorrentes, a produção de unidades limitadas vai tornar a edição especial Pegasus, mais exclusiva ainda, em um objeto de colecionador. Das 1000 unidades, 250 estão reservadas ao mercado indiano. Só nos resta saber se alguma delas vai, sem trocadilhos, aterrissar por aqui. Enquanto isso, você pode dar uma olhada em detalhe no site dedicado à Pegasus.

VÍDEOS

Parte da belíssima campanha, e também um pouco de história, da marca para a edição Pegasus

Um “walk around” em uma legítima Flying Flea de 1945

Uma Flying Flea de 1942 rodando